Marina Silva é hostilizada por homem em ato de campanha no centro de São Paulo
Candidata à reeleição ao Senado pela Rede se abrigou em loja; assessoria diz que não houve boletim de ocorrência
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, candidata à reeleição ao Senado pela Rede em São Paulo, foi hostilizada por um homem durante uma caminhada de campanha no centro da capital paulista na tarde de segunda-feira, 17. Ela havia se afastado do grupo principal para evitar aglomeração quando foi abordada com palavras e gestos agressivos, segundo relato divulgado pela Agência Brasil.
Marina buscou abrigo em uma loja próxima, amparada pela segurança do ato. O homem não foi identificado. Participavam da caminhada o candidato ao governo paulista, Fernando Haddad, e Simone Tebet, que também disputa a reeleição ao Senado por São Paulo.
Ao falar com jornalistas depois do episódio, a senadora disse que não pretendia reagir. "Eu já sei que essas pessoas fazem isso, não iria jamais ficar respondendo. Diante da paz com certeza o ódio recua", afirmou.
Em seguida, cobrou responsabilidade dos adversários que não repudiam esse tipo de conduta. "Aqueles que não desautorizam fazer esse tipo de prática acabam dando sua assinatura para essa forma de atingir a nossa democracia", disse.
Sem boletim de ocorrência até a publicação
Segundo a assessoria da candidata, não foi registrado boletim de ocorrência sobre o episódio até a noite de segunda-feira. Sem registro policial, não há inquérito aberto, e a identificação do autor depende de imagens do ato ou de depoimento de testemunhas.
A legislação eleitoral trata como crime a coação e a violência política. A Lei 14.192/2021 tipificou a violência política de gênero e prevê pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa, para quem restringir os direitos políticos de uma mulher por sua condição de gênero. O enquadramento depende da apuração.
Episódios anteriores na campanha paulista
A caminhada de segunda-feira não foi o primeiro caso de hostilidade em atos do grupo em São Paulo. Marina Silva citou a recorrência ao comentar o episódio, e integrantes da campanha atribuíram o comportamento ao acirramento da disputa no estado, onde se concentram as maiores bancadas do Congresso.
Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008 e voltou ao cargo em 2023, com a pasta ampliada para Meio Ambiente e Mudança do Clima. Deixou o ministério para disputar a eleição deste ano. Ela também disputou a Presidência da República em 2010, 2014 e 2018.
O que caracteriza violência política
A hostilização de candidatos em atos de rua não é tratada apenas como desavença. A legislação eleitoral separa a crítica política, protegida pela liberdade de expressão, da conduta que impede o exercício do mandato ou da candidatura. A diferença está no efeito: quando a ação intimida a ponto de restringir a atuação pública da pessoa, entra no campo penal.
A Lei 14.192/2021 alcança especificamente a mulher em atividade política e prevê aumento de pena quando o ato ocorre durante o período eleitoral. O Código Eleitoral também tipifica a coação no artigo 300 e a violação da liberdade de reunião no artigo 331, com penas que variam conforme a gravidade.
Na prática, a apuração depende de provocação. Sem boletim de ocorrência ou representação à Justiça Eleitoral, os fatos não são investigados de ofício, salvo quando há flagrante ou registro em imagem que chegue à autoridade policial por outra via.
O calendário eleitoral prevê a votação em primeiro turno em 4 de outubro. A campanha na rua segue até 1º de outubro, com regras de segurança definidas pela Justiça Eleitoral e apoio das polícias estaduais nos atos de maior porte. O TSE montou sala de situação com as plataformas digitais para os dois turnos.
Procurada, a assessoria de Fernando Haddad não detalhou se a campanha acionaria a Justiça Eleitoral sobre o caso. A Polícia Militar de São Paulo não informou se houve registro da ocorrência.