Acidentes com escorpião disparam no DF: como agir e onde buscar o soro
SES-DF registra 2.239 notificações no 1º semestre e casos graves triplicam; morte de menina de 11 anos no Riacho Fundo I acende alerta na capital
Os acidentes com escorpião no Distrito Federal chegaram a 2.239 notificações no primeiro semestre de 2026, alta em relação aos 2.072 registros do mesmo período de 2025, segundo levantamento da Secretaria de Saúde (SES-DF) divulgado pelo Jornal de Brasília.
O dado mais grave está na severidade: os casos classificados como graves saltaram de 12 para 36 na comparação anual, um aumento de 200%. A morte de uma menina de 11 anos, moradora do Riacho Fundo I, no início de julho, acendeu o alerta nas famílias da capital.
Morte no Riacho Fundo expõe o risco
A criança foi picada mais de três vezes em junho, ao calçar o tênis para ir à escola, dentro de casa. Ela recebeu seis ampolas de soro antiescorpiônico no Hospital Regional do Guará, mas precisava de UTI pediátrica, indisponível na unidade. A família relatou ao Correio Braziliense espera de cerca de oito horas pela transferência. A menina morreu no domingo (5).
Foi o terceiro óbito por picada de escorpião no DF em cinco anos, todos de crianças: uma vítima de 1 a 4 anos em 2022 e outra de 5 a 9 anos em 2024, conforme a SES-DF.
O vilão é o escorpião-amarelo, espécie adaptada ao ambiente urbano que se esconde em ralos, frestas, entulho, sapatos e roupas. O veneno é mais perigoso para crianças e idosos.
O que fazer após a picada
- Lave o local com água e sabão;
- Mantenha o membro atingido elevado;
- Procure atendimento médico imediatamente, principalmente se a vítima for criança;
- Se for seguro, fotografe o animal para ajudar a equipe médica;
- Acione o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193) em caso de sintomas intensos.
Há condutas caseiras que agravam o quadro. A professora Giovanna Nardeli, da Universidade Católica de Brasília, foi direta ao Jornal de Brasília:
"Não se deve fazer torniquete, cortes ou aplicar substâncias caseiras."
Também não adianta chupar o veneno nem aplicar álcool, pomadas, pó de café ou folhas sobre a picada. Nada disso neutraliza a toxina e tudo isso atrasa o socorro.
Onde buscar o soro no DF
A rede pública mantém o soro antiescorpiônico em 11 unidades, segundo a SES-DF. O Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) é a referência exclusiva para crianças de até 13 anos; o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e os demais hospitais regionais atendem os outros casos.
Em caso de dúvida sobre a unidade mais próxima, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) orienta pelo telefone 0800-644-6774. Para solicitar vistoria em áreas com infestação, o canal é a Vigilância Ambiental, no telefone 162.
Como evitar o escorpião em casa
- Sacuda roupas, calçados e toalhas antes de usar;
- Use telas em ralos de banheiro, cozinha e área de serviço;
- Vede frestas de portas, janelas e rodapés;
- Mantenha quintais limpos, sem entulho, folhas secas ou material de construção acumulado;
- Limpe caixas de gordura e de esgoto com regularidade;
- Afaste camas e berços das paredes e evite cortinas encostando no chão.
O escorpião se alimenta de baratas: controlar a praga reduz a infestação. A recomendação da SES-DF é não usar inseticida indiscriminadamente contra o aracnídeo, porque o produto pode espalhar os animais para outros pontos da casa.
A rede de saúde do DF passa por reforço neste ano, com a contratação de 709 profissionais anunciada pelo GDF e obras como a da UPA do Guará, prevista para ser entregue ainda em 2026.