Saude

Dor e inchaço em uma perna só estão entre os sinais de trombose

Cirurgião vascular do Hospital Anchieta, em Taguatinga, explica quem corre mais risco e quando procurar atendimento

Dor persistente e inchaço em apenas uma das pernas estão entre os principais sinais de trombose, alerta o cirurgião vascular Carlos Schüler, do Hospital Anchieta, em Taguatinga. O aviso foi feito nesta quarta-feira (16), Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose.

A trombose ocorre quando um coágulo se forma dentro de um vaso sanguíneo e dificulta a circulação do sangue. Na maioria das vezes, o problema aparece nas pernas. O quadro se agrava quando esse coágulo se desprende e chega aos pulmões.

"Cerca de 80% dos casos de trombose acontecem nos vasos das pernas. A principal preocupação é quando o coágulo se desloca até os pulmões e causa uma embolia pulmonar, que pode ser fatal", explica o médico.

Segundo Schüler, a comparação entre as duas pernas é o sinal mais objetivo para quem está em casa: se uma delas fica visivelmente mais inchada que a outra, é hora de procurar atendimento médico. Sem tratamento adequado, a trombose pode deixar sequelas, como inchaço persistente, mudanças na cor da pele, varizes e feridas.

Quem tem mais risco

Situações que reduzem a circulação ou alteram a coagulação aumentam a chance de um coágulo se formar. Entre os fatores citados pelo cirurgião vascular estão:

  • Ficar muito tempo sem se movimentar ou permanecer acamado
  • Cirurgias recentes, sobretudo as mais longas
  • Tratamento contra o câncer
  • Histórico pessoal ou familiar de trombose
  • Viagens longas, com muitas horas sentado e pouca ingestão de água
  • Gestação e período após o parto
  • Uso de anticoncepcionais, principalmente os que combinam estrogênio e progesterona
  • Obesidade e tabagismo

"Durante a gravidez e após o parto, o risco de trombose venosa pode ser até 20 vezes maior. Os anticoncepcionais são medicamentos seguros, mas alguns também podem aumentar esse risco, especialmente os que combinam estrogênio e progesterona", diz Schüler.

O tamanho do problema no país

Levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) com dados do Ministério da Saúde apontou mais de 489 mil brasileiros internados por trombose venosa entre janeiro de 2012 e agosto de 2023. No último ano do levantamento, a média diária de internações passou de 165 pacientes, a maior de todo o período analisado.

O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames de imagem solicitados pelo médico, e não pela conta que o paciente faz em casa. O que a orientação dos especialistas cobra do público é o passo anterior: reconhecer o sinal e buscar atendimento em vez de esperar o inchaço ceder sozinho.

O que ajuda a prevenir

Depois de cirurgias prolongadas, as medidas indicadas incluem o uso de meias elásticas, o retorno ao movimento assim que houver liberação médica, a fisioterapia e, quando o médico indicar, o uso de anticoagulantes. Nenhum desses recursos deve ser iniciado por conta própria.

Fora do contexto cirúrgico, valem as recomendações gerais de circulação: levantar e caminhar em intervalos regulares durante o expediente e em viagens longas, manter a hidratação, ter alimentação equilibrada e praticar atividade física com regularidade. Obesidade e tabagismo aparecem entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença e são os dois pontos em que a mudança de hábito tem efeito direto.

Quem tem histórico pessoal ou familiar da doença, faz uso contínuo de anticoncepcional ou vai passar por cirurgia deve informar essas condições ao médico antes do procedimento, para que a avaliação de risco seja feita caso a caso.

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Informações repassadas à redação pela assessoria de imprensa do Hospital Anchieta.

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