Saude

Opas amplia o acesso ao lenacapavir contra o HIV em 14 países

Injeção semestral de prevenção poderá ser comprada pelos fundos rotativos regionais; Gilead promete transferir tecnologia ao Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) vai ampliar o acesso ao lenacapavir, medicamento injetável de prevenção ao HIV, para 14 países da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil. O anúncio foi divulgado nesta quarta-feira (16) e abre a compra do antirretroviral pelos fundos rotativos regionais da entidade.

Pelos dados da Opas, a região registra cerca de 140 mil novas infecções pelo HIV por ano, número que a organização usa para justificar a urgência de ampliar as opções de prevenção. O lenacapavir é uma profilaxia pré-exposição, a PrEP, de ação prolongada: em vez de comprimido diário, é aplicado duas vezes por ano.

Quais países entram no acordo

Poderão adquirir o medicamento pelos fundos rotativos regionais Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Segundo a Opas, essa via complementa os acordos de licenciamento voluntário que já alcançam 24 países da região, dentro de uma estrutura global que cobre 120 países.

"A nova via complementa os acordos de licenciamento voluntário que já abrangem 24 países da América Latina e do Caribe, no âmbito de uma estrutura global mais ampla de acesso, que contempla 120 países em todo o mundo", informou a Opas em nota.

A Gilead Sciences, farmacêutica responsável pela produção, se comprometeu a avançar na transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar a produção nacional. A própria Opas registra que o processo segue em desenvolvimento e que prazos e mecanismos ainda não foram definidos. No ano passado, a Anvisa aprovou a injeção e a Fiocruz passou a negociar a produção local.

O que ainda falta para chegar ao SUS

A entidade afirma que a incorporação do lenacapavir aos programas nacionais será progressiva e vai depender de uma sequência de etapas em cada país:

  • processos regulatórios nacionais;
  • definição de protocolos clínicos;
  • capacitação de profissionais de saúde;
  • planejamento programático e quantificação da demanda.

A Opas informou que oferece cooperação técnica para apoiar os países na avaliação das necessidades, na elaboração de diretrizes, no monitoramento e na preparação dos sistemas de saúde.

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o lenacapavir como opção adicional no combate ao HIV, depois que ensaios clínicos apontaram eficácia de quase 100% na prevenção da infecção. Para a Opas, a aplicação semestral representa uma alternativa para quem tem dificuldade de seguir esquemas de prevenção de uso mais frequente.

No Distrito Federal, o uso da PrEP oral vem crescendo: dados da Secretaria de Saúde mostraram, neste ano, que a profilaxia contra o HIV mais que triplicou no DF e superou a meta nacional. A chegada da versão injetável depende das mesmas etapas regulatórias listadas pela Opas, que afirma querer uma introdução "baseada em evidências e adaptada aos contextos nacionais".

Onde o medicamento se encaixa

O lenacapavir soma-se a um conjunto de ferramentas que inclui a PrEP oral diária ou sob demanda, o cabotegravir de ação prolongada e os preservativos, além do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento antirretroviral.

"Ampliar o acesso a ferramentas eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento, e garantir que elas cheguem a todas as pessoas que delas necessitam é essencial para reduzir as novas infecções pelo HIV e avançar rumo à meta de eliminar o HIV como problema de saúde pública até 2030", concluiu a organização.

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