Metroviários encerram indicativo de greve após acordo com o Metrô-DF
Termo aditivo assinado no TRT-10 prevê concurso, horas extras e cumprimento de ação civil pública
Os metroviários do Distrito Federal encerraram o indicativo de greve por tempo indeterminado após assinarem, na terça-feira, 15, um termo aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho em audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. A paralisação chegou a ser autorizada no início de setembro e não foi deflagrada.
A assembleia da categoria aprovou o texto no mesmo dia da audiência. Com isso, a operação das linhas segue normal, sem alteração de horário, intervalo ou quantidade de trens em circulação.
O acordo fechado com a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal reúne pontos que vinham travando a negociação desde agosto, quando os metroviários fizeram a primeira assembleia sobre greve.
O que ficou acertado
- realização de novo concurso público, com 224 vagas em seis carreiras e cadastro de reserva
- contratação da banca organizadora até 31 de dezembro de 2026
- publicação do edital em até seis meses, contados da autorização
- preenchimento de 10% a 20% das vagas em até 24 meses
- cumprimento de ação civil pública sobre contratações
- pagamento de horas extras e do descanso semanal remunerado
O concurso tem validade prevista de até dois anos, prorrogável por igual período. A autorização para o certame saiu na Portaria nº 690, de 14 de setembro de 2026.
A disputa vinha desde agosto. Em 6 de agosto, a categoria se reuniu em assembleia para decidir sobre a deflagração da greve, com o concurso e o pagamento de horas extras no centro das reivindicações. A nova assembleia ficou marcada para 15 de setembro, e foi nela que o acordo saiu.
O concurso é o item mais antigo da pauta. O último edital do Metrô-DF foi publicado há 13 anos, e a companhia opera desde então com quadro reduzido e contratações pontuais determinadas pela Justiça do Trabalho. Em julho, circulou a previsão de 299 vagas; o número autorizado em setembro ficou em 224, mais cadastro de reserva limitado a três vezes o total.
O que não entrou no acordo
O entendimento não contemplou todas as reivindicações apresentadas pela categoria. Ficaram fora do termo aditivo temas que o sindicato vinha levando à mesa, entre eles a reestruturação do plano de carreira e a jornada de trabalho.
Também seguem em aberto as pautas ligadas à frota. O Metrô-DF opera com trens parados à espera de manutenção, situação apontada em relatório da Câmara Legislativa, e a licitação de 15 novos trens está suspensa por decisão do Tribunal de Contas do DF.
Quem depende do metrô no dia a dia não terá mudança imediata. O sistema liga Ceilândia, Samambaia, Taguatinga, Águas Claras, Guará e o Plano Piloto, e transporta a maior parte dos passageiros nos horários de pico da manhã e do fim da tarde.
A companhia e o sindicato não divulgaram novo calendário de negociação sobre os pontos que ficaram de fora.