Casal é preso por invadir sistema de corretora do DF e desviar Pix
Operação Desvio de Rota, da DRCC, prendeu a dupla em Guarulhos com apoio da Polícia Civil de São Paulo
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu na segunda-feira (17), em Guarulhos (SP), um casal suspeito de invadir o sistema de uma corretora de seguros do Distrito Federal e desviar pagamentos de clientes para chaves Pix fraudadas. As prisões ocorreram na Operação Desvio de Rota, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
Segundo a investigação, a dupla acessava o sistema da corretora e chegava aos dados das apólices dos clientes. Com essas informações em mãos, alterava a forma de pagamento cadastrada: a cobrança que deveria sair por boleto ou débito automático passava a ser direcionada para pagamento via Pix.
Como a fraude chegava ao cliente
Depois de mudar o cadastro, os suspeitos enviavam mensagens pelo WhatsApp se passando pela corretora e induziam o cliente a transferir o valor da parcela do seguro para chaves Pix sob controle deles. Como os dados da apólice conferiam, a abordagem soava legítima para quem recebia a cobrança.
Os investigados responderão por invasão de dispositivo informático e estelionato qualificado pelo meio eletrônico. Somadas, as penas máximas dos dois crimes podem chegar a 12 anos de prisão.
A prisão fora do DF é comum nesse tipo de investigação. Como o crime é praticado por meio digital, autor e vítima costumam estar em unidades da Federação diferentes, e a delegacia que apura precisa acionar a polícia do estado onde o suspeito mora para cumprir o mandado. Foi o que ocorreu em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
O que fazer para não cair no golpe
Fraudes que partem de um vazamento ou de uma invasão são difíceis de identificar justamente porque o criminoso já tem os dados corretos do contrato. A recomendação das delegacias que atuam em crimes cibernéticos é confirmar a cobrança por um canal diferente daquele em que ela chegou:
- Desconfie de mudança repentina na forma de pagamento, principalmente de boleto ou débito automático para Pix;
- Ligue para a corretora ou para a seguradora usando o telefone do contrato, e não o número que enviou a mensagem;
- Confira o nome do titular da chave Pix antes de concluir a transferência; pagamento de apólice deve ir para a empresa, não para pessoa física;
- Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e nos sistemas de acesso a dados de clientes;
- Guarde prints, comprovantes e o número da chave usada, porque esse material é o que instrui a investigação.
Onde registrar a ocorrência no DF
Vítimas podem registrar a ocorrência em qualquer delegacia da PCDF ou pela Delegacia Eletrônica, sem sair de casa. Casos que envolvem invasão de sistema, desvio de dados e fraude bancária são encaminhados à DRCC, que concentra a repressão a crimes cibernéticos no DF.
Quem fez a transferência deve acionar o banco em seguida e pedir o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, que permite tentar reaver o valor quando há indício de fraude. O prazo curto entre a transferência e o pedido aumenta a chance de bloqueio do dinheiro na conta de destino, porque o criminoso costuma pulverizar o valor em outras contas logo depois de recebê-lo.
Vale avisar a corretora ou a seguradora assim que a suspeita surgir, mesmo antes de saber se houve prejuízo. O aviso permite que a empresa confira se o cadastro do cliente foi alterado, restabeleça a forma de pagamento original e verifique se outros contratos foram atingidos pela mesma invasão. Empresas que tratam dados pessoais também têm o dever de comunicar incidentes de segurança que possam causar risco aos titulares.
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