Dupla é presa por golpe do falso Pix contra farmácia da 302 Sul
Suspeitos se passavam por representantes de hospitais e pagavam com comprovante falso; prejuízo passa de R$ 100 mil
Dois homens suspeitos de aplicar o golpe do falso comprovante de Pix contra farmácias e distribuidoras de equipamentos hospitalares do Distrito Federal foram presos na sexta-feira (14/8) em ação conjunta da Polícia Militar do Distrito Federal com a Polícia Militar de Goiás. Um terceiro envolvido foi identificado e qualificado. O prejuízo levantado até agora passa de R$ 100 mil.
De acordo com a PMDF, os suspeitos se passavam por representantes de hospitais e de instituições de saúde de grande porte para negociar a compra de produtos de alto valor. Fechado o pedido, apresentavam ao vendedor um comprovante falso de pagamento via Pix. Com a suposta confirmação em mãos, o estabelecimento liberava a mercadoria para a transportadora.
A última tentativa registrada partiu de uma farmácia da 302 Sul, que negociou o fornecimento de equipamentos hospitalares e liberou a carga depois de receber o comprovante. A mercadoria foi colocada em um caminhão com destino a Santo Antônio do Descoberto, no Goiás. As equipes acompanharam o deslocamento e abordaram os suspeitos no momento em que eles recebiam os produtos no município goiano.
O que o comércio pode conferir
O comprovante de Pix é o ponto fraco explorado nesse tipo de fraude, porque a imagem é fácil de falsificar e circula por aplicativo de mensagem. A recomendação do Banco Central e das polícias é simples e vale para qualquer balcão:
- Conferir a entrada do dinheiro no extrato da conta, no aplicativo do próprio banco, e nunca no comprovante enviado pelo comprador.
- Checar o nome e o CPF ou CNPJ do pagador: no Pix, o dado do recebedor e o do pagador aparecem no extrato.
- Desconfiar de pedido acima do ticket médio feito por telefone ou aplicativo, com urgência de entrega e pagamento fora do horário comercial.
- Não liberar carga para transportadora antes de a transferência estar compensada, mesmo com a promessa de envio do comprovante.
- Registrar ocorrência assim que perceber a fraude: o rastreio da conta que recebeu o dinheiro depende de comunicação rápida ao banco.
O Pix é liquidado em segundos e não tem estorno automático em caso de fraude. Existe o Mecanismo Especial de Devolução, criado pelo Banco Central, que permite ao banco bloquear e devolver valores em situação de golpe, mas ele depende de comunicação da vítima e da existência de saldo na conta de destino.
Pelas regras do Banco Central, o pedido de acionamento desse mecanismo precisa ser feito à instituição financeira em até 80 dias contados da transação, e a devolução só alcança o que ainda estiver na conta que recebeu o dinheiro. Na prática, quanto mais tempo passa entre a entrega da mercadoria e a descoberta da fraude, menor a chance de recuperação, porque o valor costuma ser pulverizado em outras contas em poucos minutos.
Enquadramento
Os presos vão responder por estelionato e associação criminosa. O estelionato está no artigo 171 do Código Penal, com pena de reclusão de um a cinco anos e multa. Desde 2021, a fraude cometida por meio eletrônico tem pena aumentada, que pode chegar ao dobro quando o crime é praticado com uso de servidor mantido fora do país ou contra idoso.
A investigação segue para apurar quantos estabelecimentos foram atingidos e se o grupo agia em outros estados. Leia também: como funciona o mecanismo de devolução do Pix.