Câmera registra 25 tiros que mataram casal em Ceilândia; vizinho preso nega o crime
Áudio de segurança mostra duas rajadas na madrugada de domingo (11); PCDF aponta vingança por agressões à companheira do suspeito
Neste texto3 tópicos
Uma câmera de segurança gravou o som dos disparos que mataram Larissa Rodrigues de Paula, de 24 anos, e Arlandson de Sousa Alves, de 34, conhecido artisticamente como Alan Tons, em Ceilândia, por volta das 2h50 de domingo (11). O áudio, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Metrópoles, registra ao menos 10 tiros seguidos e, cerca de 25 segundos depois, outros 15. O vizinho João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, apontado como suspeito pela Polícia Civil do DF (PCDF), foi preso e nega participação.
O casal morava num lote com várias kitnets na QNM 22. Segundo a 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), o crime teria sido motivado por vingança: João Victor agredia a própria companheira com frequência, e Larissa e Alan costumavam intervir nas brigas e chamar a polícia.
O que o suspeito disse à polícia
João Victor se apresentou à delegacia na noite de domingo, acompanhado de advogado, e passou por audiência de custódia nesta segunda. No depoimento, negou o crime e afirmou ter passado a noite numa distribuidora de bebidas antes de ir para a casa da sogra. “Fiquei lá direto. Só saí de lá para ir para casa. Se acharem que matei alguém, só me prender, que eu provo minha inocência”, disse, segundo o Metrópoles. Ele também declarou ter devolvido a chave do imóvel.
A mulher dele confirmou a versão. De acordo com a 15ª DP, porém, os dois depoimentos têm divergências relevantes, que os investigadores ainda vão analisar. Como a investigação segue aberta, ele é suspeito e não foi condenado.
Histórico de violência contra a companheira
Segundo a PCDF, o homem já tinha sido preso duas vezes por agredir a companheira e acabou solto depois que ela não deu continuidade às denúncias. Retirado da kitnet onde morava, teria ameaçado os vizinhos, inclusive Alan e Larissa.
O caso expõe um ponto do sistema de proteção. Desde 2012, o Supremo Tribunal Federal entende, na ADI 4424, que a ação penal por lesão corporal contra a mulher em violência doméstica é pública e incondicionada: o Ministério Público pode denunciar mesmo que a vítima desista de representar.
Casos de violência doméstica na capital voltaram ao noticiário no fim de semana. Em outro episódio em Ceilândia, um homem agrediu a esposa e ateou fogo à casa, e o suspeito fugiu.
Onde denunciar
- 190: emergência policial, ligação gratuita.
- 180: Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas.
- Delegacia Eletrônica da PCDF: registro de ocorrência pela internet em casos que não exigem presença da vítima.
Fontes: Metrópoles e PCDF, 12/10/2026.