Segurança

PCDF prende quatro na Operação Pit Bull e descobre lavagem via Pix até RO

Esquema usava lojas de fachada em Ceilândia, Samambaia e Pôr do Sol e enviava dinheiro para empresas na fronteira com a Bolívia

Neste texto5 tópicos
  1. O que a polícia apreendeu
  2. Como o dinheiro ia parar na fronteira com a Bolívia
  3. Próximos passos da investigação
  4. Por que o uso de lojas como fachada preocupa a polícia
  5. Leia também

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quarta-feira (7/10) a Operação Pit Bull contra um grupo suspeito de vender cocaína em lojas usadas como fachada na Ceilândia, em Samambaia e no Pôr do Sol, com um braço de lavagem de dinheiro que chegava a Guajará-Mirim, em Rondônia, na fronteira com a Bolívia.

Equipes da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), com apoio da 23ª Delegacia de Polícia, de Ceilândia, cumpriram 19 mandados de busca e apreensão e prisão temporária no Distrito Federal e em Rondônia. Quatro pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico; outras duas são procuradas pela polícia.

O que a polícia apreendeu

Segundo a PCDF, os investigados vendiam cocaína em três estabelecimentos comerciais que funcionavam como fachada, driblando a fiscalização ao disfarçar as entregas como vendas comuns. Os pagamentos eram recebidos por Pix e por maquininhas de cartão, o que permitia ao grupo movimentar dinheiro sem manusear espécie na hora da venda.

  • Drogas: cerca de 1,6 kg de cocaína em tablete, mais 223 porções já fracionadas para venda, e aproximadamente 500 g de maconha
  • Armas: duas pistolas calibre 9 mm e um revólver calibre .38
  • Outros itens: balanças de precisão usadas para pesar e embalar a droga
  • Veículos: três carros apreendidos
  • Mandados: 19 de busca e apreensão, cumpridos no DF e em Guajará-Mirim (RO)

Como o dinheiro ia parar na fronteira com a Bolívia

Mão segura celular para pagamento por aproximação em maquininha de cartão
Pagamentos por Pix e maquininha de cartão ajudavam o grupo a disfarçar a origem do dinheiroFoto: Pexels

A investigação aponta que parte dos valores movimentados pelo grupo era enviada a empresas de Guajará-Mirim, cidade de Rondônia na divisa com a Bolívia e apontada pela polícia como rota conhecida do tráfico de drogas entre os dois países. Para dificultar o rastreamento, os investigados usavam contas bancárias de parentes e de pessoas próximas: o dinheiro era fracionado em pequenas quantias, repassado entre diferentes contas no mesmo dia e, depois, sacado em espécie antes de seguir para Rondônia.

A Polícia Civil de Rondônia deu apoio operacional ao cumprimento dos mandados em Guajará-Mirim. A PCDF não detalhou, até a publicação desta reportagem, o valor total que teria sido movimentado pelo esquema nem a fase em que está o inquérito que apura a associação entre os presos no DF e os destinatários dos repasses em Rondônia.

Próximos passos da investigação

Os quatro presos em flagrante devem responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com pena que pode chegar a 15 anos de reclusão somadas as duas condutas. A PCDF segue em busca dos dois foragidos e deve ouvir testemunhas para fechar o quadro de quem mais participava da rede de lavagem via Pix.

A reportagem do DistritoNews solicitou à PCDF mais detalhes sobre a identidade dos presos e sobre o andamento das buscas pelos foragidos e vai atualizar o texto assim que a corporação responder.

Por que o uso de lojas como fachada preocupa a polícia

Operações como a Pit Bull têm levado a PCDF a mudar o foco da fiscalização: em vez de mirar só pontos de venda a céu aberto, as equipes da Cord passaram a cruzar dados bancários e de movimentação comercial para identificar estabelecimentos com faturamento incompatível com o porte do negócio. O uso de Pix e maquininha de cartão para vender droga, como no caso de Ceilândia e do Pôr do Sol, dificulta a abordagem tradicional, baseada em flagrante de entrega em espécie, e exige investigação financeira mais longa antes do cumprimento dos mandados.

A rota para Guajará-Mirim também não é nova no radar da segurança pública: a cidade de Rondônia faz fronteira com a Bolívia e já foi apontada em outras operações federais e estaduais como ponto de passagem de drogas e de dinheiro entre os dois países. A PCDF não informou se a investigação em Guajará-Mirim é conduzida em conjunto com a Polícia Federal.

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