Educação

Flávio quer voucher-creche e escolas cívico-militares; Lula, tempo integral

Planos de governo dos dois candidatos ao segundo turno divergem em creche, ensino superior e financiamento da educação

Neste texto4 tópicos
  1. O que Flávio Bolsonaro propõe
  2. O que Lula propõe
  3. Onde os dois planos se aproximam
  4. Quem decide o quê na rede do DF

Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram, nos planos de governo registrados para o segundo turno de 25 de outubro, propostas diferentes para a educação: Flávio defende voucher-creche, expansão das escolas cívico-militares e a transferência do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Lula promete ampliar o tempo integral e manter o Pé-de-Meia. O levantamento foi publicado nesta quinta-feira, 15, pela Agência Brasil.

O tema ficou em segundo plano na campanha. Segundo a agência, a disputa deste ano deu menos espaço à educação em razão do contexto político e do caso Master. Para o eleitor do Distrito Federal, que depende de uma rede pública grande e de um concurso de mais de 10 mil vagas em preparação, a comparação ajuda a ver o que cada plano muda na prática.

O que Flávio Bolsonaro propõe

O plano de Flávio trata a educação dentro do eixo "Brasil que prepara", com a família no centro das políticas públicas e a defesa de "uma escola que ensina, e não que doutrina". As medidas de maior destaque são:

  • Voucher-creche: a família que não encontrar vaga na rede pública receberia um valor para matricular a criança em escola privada credenciada. O plano não detalha de onde viria o dinheiro.
  • Escolas cívico-militares: expansão do modelo, que o governo de Jair Bolsonaro chegou a oficializar no Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares.
  • Ensino superior: governança de todas as universidades e institutos federais passaria do Ministério da Educação (MEC) para o MCTI, com o Empréstimo Contingente à Renda, em que o estudante só começa a pagar depois de entrar no mercado de trabalho.
  • Repasses condicionados: verbas a estados e municípios dependeriam do cumprimento de metas de aprendizagem.
  • Alfabetização e reforço: método fônico e o Programa Acolher, em que alunos com bom desempenho recebem para dar reforço a colegas.

O que Lula propõe

O plano do presidente e candidato à reeleição define a educação como "pacto inegociável com o futuro". Entre as propostas estão:

  • Tempo integral: ampliar as matrículas em jornada de pelo menos sete horas diárias. Hoje, 25,8% das matrículas da educação básica estão nesse formato.
  • Creches: seguir com a construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios pelo Novo PAC.
  • Pé-de-Meia: aprimorar o programa, que desde 2024 alcançou 7,3 milhões de estudantes do ensino médio inscritos no CadÚnico.
  • Institutos federais: mais 111 unidades, com novos campi em 106 municípios.
  • Professores e conectividade: reajuste do piso do magistério, Pé-de-Meia Licenciatura e internet de qualidade em todas as escolas, hoje com cobertura adequada em 75% delas.

Onde os dois planos se aproximam

Os dois candidatos defendem a escola em tempo integral e a ampliação do ensino técnico. Flávio propõe parcerias com indústrias e bolsas financiadas por empresas; Lula liga a oferta de vagas à expansão da rede federal. Também há convergência na prioridade à conectividade: Flávio promete robótica, computadores e internet nas escolas, e Lula quer universalizar o acesso de qualidade.

Quem decide o quê na rede do DF

A maior parte da educação básica é responsabilidade de estados e municípios. No DF, a Secretaria de Educação administra a rede pública e define contratação de professores, calendário e uso das escolas. O governo federal atua com repasses e programas, o que explica a ênfase dos dois planos em transferências, metas e programas como o Pé-de-Meia.

O DistritoNews já mostrou o detalhamento de salários e cargos do concurso da SEEDF e o peso dos professores temporários na rede pública, dois pontos que dependem de decisões locais, e não do Palácio do Planalto.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. As propostas descritas aqui constam dos planos de governo dos candidatos, segundo a Agência Brasil, e não representam compromisso formal com prazos ou fontes de recursos.

Fonte: Agência Brasil, reportagem de Daniella Almeida, publicada em 15 de outubro de 2026.

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