Flávio quer voucher-creche e escolas cívico-militares; Lula, tempo integral
Planos de governo dos dois candidatos ao segundo turno divergem em creche, ensino superior e financiamento da educação
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Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram, nos planos de governo registrados para o segundo turno de 25 de outubro, propostas diferentes para a educação: Flávio defende voucher-creche, expansão das escolas cívico-militares e a transferência do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Lula promete ampliar o tempo integral e manter o Pé-de-Meia. O levantamento foi publicado nesta quinta-feira, 15, pela Agência Brasil.
O tema ficou em segundo plano na campanha. Segundo a agência, a disputa deste ano deu menos espaço à educação em razão do contexto político e do caso Master. Para o eleitor do Distrito Federal, que depende de uma rede pública grande e de um concurso de mais de 10 mil vagas em preparação, a comparação ajuda a ver o que cada plano muda na prática.
O que Flávio Bolsonaro propõe
O plano de Flávio trata a educação dentro do eixo "Brasil que prepara", com a família no centro das políticas públicas e a defesa de "uma escola que ensina, e não que doutrina". As medidas de maior destaque são:
- Voucher-creche: a família que não encontrar vaga na rede pública receberia um valor para matricular a criança em escola privada credenciada. O plano não detalha de onde viria o dinheiro.
- Escolas cívico-militares: expansão do modelo, que o governo de Jair Bolsonaro chegou a oficializar no Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares.
- Ensino superior: governança de todas as universidades e institutos federais passaria do Ministério da Educação (MEC) para o MCTI, com o Empréstimo Contingente à Renda, em que o estudante só começa a pagar depois de entrar no mercado de trabalho.
- Repasses condicionados: verbas a estados e municípios dependeriam do cumprimento de metas de aprendizagem.
- Alfabetização e reforço: método fônico e o Programa Acolher, em que alunos com bom desempenho recebem para dar reforço a colegas.
O que Lula propõe
O plano do presidente e candidato à reeleição define a educação como "pacto inegociável com o futuro". Entre as propostas estão:
- Tempo integral: ampliar as matrículas em jornada de pelo menos sete horas diárias. Hoje, 25,8% das matrículas da educação básica estão nesse formato.
- Creches: seguir com a construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios pelo Novo PAC.
- Pé-de-Meia: aprimorar o programa, que desde 2024 alcançou 7,3 milhões de estudantes do ensino médio inscritos no CadÚnico.
- Institutos federais: mais 111 unidades, com novos campi em 106 municípios.
- Professores e conectividade: reajuste do piso do magistério, Pé-de-Meia Licenciatura e internet de qualidade em todas as escolas, hoje com cobertura adequada em 75% delas.
Onde os dois planos se aproximam
Os dois candidatos defendem a escola em tempo integral e a ampliação do ensino técnico. Flávio propõe parcerias com indústrias e bolsas financiadas por empresas; Lula liga a oferta de vagas à expansão da rede federal. Também há convergência na prioridade à conectividade: Flávio promete robótica, computadores e internet nas escolas, e Lula quer universalizar o acesso de qualidade.
Quem decide o quê na rede do DF
A maior parte da educação básica é responsabilidade de estados e municípios. No DF, a Secretaria de Educação administra a rede pública e define contratação de professores, calendário e uso das escolas. O governo federal atua com repasses e programas, o que explica a ênfase dos dois planos em transferências, metas e programas como o Pé-de-Meia.
O DistritoNews já mostrou o detalhamento de salários e cargos do concurso da SEEDF e o peso dos professores temporários na rede pública, dois pontos que dependem de decisões locais, e não do Palácio do Planalto.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. As propostas descritas aqui constam dos planos de governo dos candidatos, segundo a Agência Brasil, e não representam compromisso formal com prazos ou fontes de recursos.
Fonte: Agência Brasil, reportagem de Daniella Almeida, publicada em 15 de outubro de 2026.