Seguranca

Furto de cabos cresce 31,7% no DF e passa de quatro casos por dia

Neoenergia registra 739 ocorrências no primeiro semestre de 2026; Plano Piloto concentra 436 casos e prejuízo com reposição já supera R$ 200 mil

O furto de cabos de energia cresceu 31,7% no Distrito Federal no primeiro semestre de 2026, segundo a Neoenergia Brasília. Foram 739 ocorrências entre janeiro e junho, mais de quatro por dia, contra 561 no mesmo período de 2025.

Os números, divulgados pela distribuidora na terça-feira (21), incluem furtos consumados e tentativas. Desde 2025 a empresa passou a contar também as tentativas, porque mesmo quando o cabo não é levado a ação costuma danificar equipamentos e comprometer o fornecimento.

Plano Piloto concentra mais da metade dos casos

O mapa do crime tem endereço certo. As Asas Norte e Sul lideram com folga, seguidas por duas regiões de alta densidade:

  • Plano Piloto: 436 registros no semestre;
  • Águas Claras: 47 casos;
  • Guará: 42 casos.

A concentração no Plano Piloto tem explicação técnica: a região tem rede subterrânea extensa, com caixas de passagem acessíveis nas quadras, e grande quantidade de fiação de cobre, material valorizado no mercado clandestino de reciclagem.

Prejuízo passa de R$ 200 mil só na reposição

Os gastos da Neoenergia com reposição de material e mobilização de equipes para reparar a rede subterrânea já superam R$ 200 mil no primeiro semestre. Em todo o ano de 2025, as perdas somaram R$ 450 mil.

Para o consumidor, a conta chega de outra forma: interrupções no abastecimento, oscilações na rede e até danos a eletrodomésticos. O reparo é demorado porque a rede subterrânea não pode ser recomposta por qualquer equipe; a recomposição exige profissionais especializados e pode levar várias horas.

O furto de cabos atinge diretamente o cidadão. Cada ocorrência provoca interrupções no fornecimento, oscilações e até a queima de eletrodomésticos, afirma Hudson Thiago, gerente da Neoenergia Brasília.

Operações com a polícia já derrubaram o crime uma vez

A distribuidora afirma que mantém operações integradas com as forças de segurança do DF, além de monitoramento da rede e tecnologia de proteção nos pontos mais visados. A estratégia já deu resultado: em 2024, as ações conjuntas com a polícia reduziram os furtos consumados em 14% na comparação com 2023.

O ganho, porém, se perdeu. A curva voltou a subir em 2025 e acelerou em 2026, com o cobre valorizado atraindo quadrilhas de novo para a rede subterrânea do Plano Piloto.

Crime já atinge de eletroposto a semáforo

O avanço do furto de cabos no DF não se limita à rede de energia. Em maio, criminosos levaram os cabos de eletropostos de carros elétricos em Águas Claras, deixando pontos de recarga inoperantes na região.

A resposta legislativa veio neste ano. A Lei 15.397, sancionada em 2026, elevou as penas para furto e roubo de cabos e equipamentos de infraestrutura, mirando também a cadeia de receptação que compra o cobre furtado.

A alta de agora confirma uma tendência que vem de longe. Em fevereiro, levantamento publicado pelo Correio Braziliense já apontava crescimento de 49% nos furtos de cabos de energia no DF em 2025, na comparação com o ano anterior. O primeiro semestre de 2026 mostra que o ritmo seguiu subindo.

O destino do material também está no radar. O cobre furtado abastece ferros-velhos e o mercado clandestino de reciclagem, e quem compra a fiação sabendo da origem responde por receptação. A fiscalização sobre esses pontos de compra é uma das frentes previstas na nova legislação.

Como denunciar

Quem presenciar furto de fiação pode acionar a Polícia Militar pelo 190. Danos na rede elétrica devem ser comunicados à distribuidora, que aciona as equipes de reparo e registra a ocorrência. A vítima de furto também pode registrar boletim de ocorrência online na PCDF, sem ir à delegacia.

Com o semestre fechado em 739 casos, o segundo semestre dirá se a nova lei e o reforço no policiamento conseguem frear a curva. Por enquanto, o ritmo segue acima de quatro ocorrências por dia.

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