Mulher é morta a facadas em Ceilândia e PCDF apura feminicídio
Vítima em situação de rua foi socorrida na QNN 3 na madrugada desta quinta (13) e morreu no hospital
Uma mulher em situação de rua foi esfaqueada na madrugada desta quinta-feira (13) na QNN 3, em Ceilândia, e morreu depois de dar entrada em estado grave em unidade hospitalar. A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II, a Deam II, apura o caso como feminicídio.
Segundo relatos de moradores, a discussão que antecedeu o crime começou por volta das 4h. A vítima gritou, mas os vizinhos não acionaram socorro de imediato. Por volta das 5h, uma testemunha a encontrou ferida e pediu que alguém chamasse atendimento de emergência. O Corpo de Bombeiros registrou a ocorrência às 5h53.
O que a polícia apurou até agora
A vítima não havia sido identificada até a publicação desta reportagem. Ninguém foi preso. A linha de investigação inicial trabalha com a hipótese de que o autor seja outra pessoa em situação de rua que frequenta o mesmo ponto, segundo apuração da delegacia.
O caso caiu na Deam II porque a legislação brasileira determina que a morte violenta de mulher por razões da condição de sexo feminino seja apurada como feminicídio, qualificadora prevista no Código Penal desde 2015 e transformada em tipo penal autônomo em 2024, com pena de 20 a 40 anos de reclusão.
Moradores relatam brigas recorrentes no trecho, descrito como ponto de uso e de venda de drogas. Nenhuma dessas informações foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil, que não divulgou detalhes do inquérito em andamento.
População em situação de rua e subnotificação
Casos de violência contra mulheres em situação de rua costumam demorar mais para ser esclarecidos. Falta documentação, endereço fixo e rede familiar que cobre a investigação, e a identificação da vítima pode levar dias. A ausência de testemunhas dispostas a depor é outro obstáculo recorrente nesse tipo de ocorrência.
No Distrito Federal, o atendimento a essa população é feito pelos Centros Pop e pelo serviço de abordagem social da Secretaria de Desenvolvimento Social. Casos de violência podem ser encaminhados pelas equipes às delegacias especializadas.
Como a apuração segue daqui
O primeiro passo do inquérito é a identificação da vítima, feita por comparação de digitais e, quando não há registro, por exame de DNA. Em paralelo, a delegacia colhe depoimento de quem estava no local, levanta imagens de câmeras de estabelecimentos próximos e aguarda o laudo do Instituto Médico Legal, que descreve o número e a natureza dos ferimentos.
A tipificação definitiva depende desse conjunto. Feminicídio exige demonstrar que a morte se deu por razões da condição de sexo feminino, seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Enquanto isso não é estabelecido, o caso corre como homicídio sob apuração da delegacia especializada.
Quem tiver informações sobre o caso pode acionar a Polícia Civil pelo 197, canal que aceita denúncia anônima. Em situação de emergência, o número é o 190. Mulheres em risco também podem procurar a Deam, que funciona 24 horas, ou acionar o 180, central nacional de atendimento à mulher.
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O inquérito segue em andamento na Deam II. A delegacia não informou prazo para conclusão nem se já há suspeito identificado.