Seguranca

PCDF mira grupo que extorquia casais com ameaça de vazar conteúdo íntimo

Operação Arcanum cumpre mandados em Mato Grosso e Santa Catarina; investigação começou com registros de vítimas do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (16) a Operação Arcanum contra um grupo suspeito de extorquir usuários de uma rede social fechada voltada a casais liberais, com ameaça de divulgar fotos, vídeos e conversas íntimas das vítimas. Os primeiros registros partiram de moradores do DF.

A ação é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). Até a divulgação da operação, haviam sido cumpridos dois mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, três deles em Mato Grosso e um em Santa Catarina. Outros mandados ainda seriam cumpridos.

Como o grupo agia, segundo a investigação

De acordo com a apuração da PCDF, os suspeitos se infiltravam na plataforma fechada, reuniam material íntimo trocado entre os participantes e passavam a cobrar dinheiro sob a ameaça de enviar o conteúdo a familiares, colegas de trabalho e conhecidos das vítimas. O pagamento não encerrava a cobrança: quem cedia voltava a ser procurado.

A investigação começou a partir de registros feitos por vítimas do Distrito Federal. Ao cruzar dados digitais e movimentações financeiras, a DRCC concluiu que os casos tinham o mesmo modo de agir e apontavam para um grupo organizado, com integrantes em mais de um estado. Para dificultar o rastreamento do dinheiro, segundo a polícia, eram usadas contas digitais e intermediários que recebiam os valores em nome de terceiros.

Os investigados podem responder por extorsão, associação criminosa e divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento. Somadas, as penas máximas dos três crimes chegam a 18 anos de prisão. Nenhum dos alvos foi identificado pela corporação, e todos são tratados como suspeitos até decisão judicial definitiva.

A DRCC é a unidade da PCDF especializada em crimes praticados por meio eletrônico, como invasão de dispositivo, fraude bancária digital e extorsão por mensagem. Por atingir vítimas e alvos em estados diferentes, a apuração precisou de autorização judicial para o cumprimento de mandados fora do Distrito Federal.

A defesa dos presos não havia sido identificada até a divulgação da operação. A PCDF não informou o valor total extorquido nem quantas vítimas foram ouvidas até agora.

O que fazer em caso de chantagem com conteúdo íntimo

A divulgação de imagem íntima sem consentimento é crime previsto no artigo 218-C do Código Penal, incluído pela Lei 13.718/2018, com pena de um a cinco anos. A extorsão, no artigo 158, prevê de quatro a dez anos.

  • Não pagar: o pagamento costuma ser seguido de nova cobrança.
  • Preservar as provas, com prints das mensagens, números de telefone, perfis e comprovantes de transferência.
  • Registrar ocorrência em qualquer delegacia ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF, no endereço delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br.
  • Denunciar o perfil à plataforma e pedir a remoção do conteúdo.

Casos com vítimas mulheres podem ser levados às delegacias especializadas de atendimento à mulher. O disque-denúncia da PCDF é o 197, e a Delegacia Eletrônica funciona 24 horas.

A PCDF já havia atuado contra esquemas parecidos no DF. Em julho, a corporação prendeu três suspeitos de extorquir vítimas contatadas por aplicativo de relacionamento, em caso com estrutura semelhante de cobrança por mensagem.

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