PCDF prende dez por furto e desmanche de quase cem motos no DF
Operação Divisa cumpriu 12 mandados de prisão e 15 de busca em três estados; grupo escondia os veículos em Santa Maria e no Entorno
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu dez pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em furtar e desmontar motocicletas, em ação deflagrada na sexta-feira (14) no DF, em Goiás e em Minas Gerais. A investigação da Operação Divisa aponta que o grupo levou cerca de cem motos ao longo de um ano e meio.
A operação foi conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) e cumpriu 12 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. Os mandados foram executados em Brasília, em Cidade Ocidental, Luziânia e Valparaíso de Goiás, no Entorno, e em São Gotardo, no interior mineiro.
O número de motocicletas atribuído ao grupo aparece nas informações divulgadas sobre a operação como estimativa da investigação. A PCDF trata o total como aproximado, e o balanço definitivo depende da conclusão do inquérito.
Como o grupo operava
Segundo a apuração policial, a quadrilha funcionava com divisão de tarefas. Havia integrantes encarregados de executar os furtos, outros responsáveis pelo apoio logístico e pelo transporte, um terceiro grupo cuidava de esconder e desmontar os veículos, e ainda existiam receptadores e comerciantes encarregados da venda clandestina das peças.
Os veículos furtados eram levados principalmente para áreas de Santa Maria, no Distrito Federal, e para Cidade Ocidental e Luziânia, em Goiás. Depois de desmontadas, as peças seguiam para a comercialização ilegal, inclusive por redes sociais e aplicativos de mensagens, que funcionavam como vitrine para compradores.
A escolha das cidades não é casual. As três ficam no eixo sul da região metropolitana de Brasília, com trânsito intenso de veículos entre o DF e Goiás e fiscalização dividida entre duas polícias civis, o que dificulta o rastreamento das motos depois do furto.
O que muda para quem teve a moto levada
Motocicletas respondem por uma fatia relevante dos furtos de veículos registrados no DF, e a maior parte dos casos termina sem recuperação porque o veículo é desmontado em poucas horas. Peças como motor, chassi, rodas e painel entram no mercado paralelo separadamente, o que torna difícil identificar a origem depois da venda.
Quem tem a moto furtada deve registrar a ocorrência imediatamente, o que pode ser feito pela delegacia eletrônica da PCDF, e comunicar o Detran-DF. O registro é o documento que permite o bloqueio do veículo no sistema nacional e sustenta o pedido de indenização junto à seguradora.
- Presos: dez pessoas
- Mandados: 12 de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão
- Estados alcançados: Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais
- Cidades: Brasília, Cidade Ocidental, Luziânia, Valparaíso de Goiás e São Gotardo
- Período investigado: cerca de um ano e meio
Os presos permanecem à disposição da Justiça. Todos são tratados como suspeitos até que haja condenação definitiva, e as defesas não haviam se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem. As informações divulgadas sobre a operação não especificam a defesa constituída por cada um dos investigados.
A ação se soma a outras investidas recentes da PCDF contra estruturas que exploram o mercado ilegal de veículos no DF e no Entorno, como a quadrilha de falso leilão de veículos desarticulada em DF e Goiás. O inquérito da Operação Divisa segue em andamento para identificar outros compradores das peças.