PCDF mira golpe de venda de celulares que nunca eram entregues
Operação Reflexo, da 8ª DP, prendeu casal suspeito de simular loja on-line, receber por Pix e bloquear o comprador em seguida
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na sexta-feira (14) a Operação Reflexo, que mira um esquema de estelionato eletrônico baseado na venda de celulares que nunca chegavam ao comprador. A investigação foi conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia, na Estrutural, e resultou na prisão preventiva de um casal.
Segundo a apuração policial, a dupla simulava uma loja on-line de aparelhos, exibia um suposto estoque para dar credibilidade à negociação e recebia o pagamento antecipado por Pix. Depois da transferência, o aparelho não era enviado e o comprador passava a ser bloqueado nos canais usados na conversa.
Os dois presos têm 22 e 25 anos. A mulher cursava o sétimo semestre de Direito e era estagiária de um escritório de advocacia, de acordo com a investigação. Ela mantinha perfil público com vídeos e orientações sobre como desbloquear contas bancárias suspensas por suspeita de fraude e sobre prevenção a golpes virtuais.
Por que o Pix é o meio preferido
O pagamento instantâneo elimina a janela em que o comprador poderia cancelar a transação, que existe no cartão de crédito e no boleto. Uma vez concluída a transferência, o dinheiro já está na conta do recebedor, e a recuperação depende do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central ou de decisão judicial.
Por isso, esquemas montados sobre venda de eletrônicos costumam insistir em desconto condicionado ao pagamento imediato e em chave Pix de terceiros, o que dificulta rastrear o destinatário final dos valores.
O que fazer antes de pagar
- Confira o CNPJ da loja na Receita Federal e busque o nome da empresa em sites de reclamação antes de transferir
- Desconfie de preço muito abaixo do praticado no mercado e de pressa para fechar negócio
- Verifique se a chave Pix pertence à mesma pessoa jurídica que anuncia o produto
- Guarde as conversas, o comprovante e o anúncio, porque são a prova material do registro policial
- Prefira meios de pagamento com direito a contestação em compras de valor alto entre pessoas físicas
Quem foi vítima deve registrar ocorrência, o que pode ser feito pela delegacia eletrônica da PCDF sem sair de casa, e acionar o próprio banco para pedir o Mecanismo Especial de Devolução, cujo prazo de solicitação é curto. O registro é o documento que permite reunir vítimas do mesmo autor em um único inquérito, o que aumenta a chance de identificação.
A prisão foi preventiva, modalidade decretada quando o juiz entende que há risco à investigação ou à ordem pública, e não depende de flagrante. Cabe agora ao inquérito da 8ª DP consolidar quantos compradores foram atingidos, reunir os comprovantes de transferência e mapear as contas usadas para receber os valores. A partir desse conjunto é que o Ministério Público decide se oferece denúncia por estelionato.
O contraste entre o conteúdo publicado pela suspeita sobre prevenção a fraudes e a conduta apontada pela investigação é o traço que distingue o caso. Perfis que orientam consumidores sobre segurança bancária ganham confiança justamente por parecerem fonte técnica, e essa credibilidade encurta a desconfiança de quem vai transferir dinheiro para um desconhecido.
Os dois presos são tratados como suspeitos até que haja condenação definitiva. As informações divulgadas sobre a operação não especificam as defesas constituídas, que não haviam se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem.
O caso se soma a outras ações recentes da polícia contra fraudes eletrônicas no DF, como a operação da PCDF contra golpes financeiros aplicados a idosos. A investigação segue para identificar quantas pessoas foram lesadas e qual o valor total do prejuízo.