Brasil envia 690 mil doses de vacinas à Venezuela após terremotos
Remessa levada pela FAB tem BCG, tríplice viral e pentavalente e não afeta o estoque do SUS, informou o Ministério da Saúde
O governo brasileiro enviou 690 mil doses de vacinas à Venezuela em 20 de julho, como parte da resposta emergencial aos terremotos que atingiram o país vizinho no fim de junho. O transporte foi feito pela Força Aérea Brasileira (FAB).
A remessa é composta por 540 mil doses de vacina pentavalente, 102 mil doses de tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e 48 mil doses de BCG. Segundo o Ministério da Saúde, a doação não afeta o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A escolha das vacinas
A composição do carregamento indica o alvo da operação. As três vacinas enviadas fazem parte do calendário infantil e são as primeiras a sofrer com a interrupção da cadeia de frio quando uma rede de saúde é desorganizada por um desastre.
- Pentavalente: protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b. É aplicada em três doses no primeiro ano de vida.
- Tríplice viral: barreira contra sarampo, caxumba e rubéola. O sarampo é a doença que mais rapidamente volta a circular quando a cobertura vacinal cai.
- BCG: aplicada na maternidade, protege contra as formas graves da tuberculose.
O que já foi enviado
A remessa de vacinas se soma à ajuda humanitária que o Brasil vinha encaminhando desde os primeiros dias após os tremores. O governo brasileiro já destinou cerca de 16,5 toneladas de medicamentos e insumos estratégicos ao país vizinho.
O pacote anterior incluiu antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, seringas, luvas, máscaras, gazes, ataduras, dispositivos de infusão e outros materiais hospitalares.
As vacinas doadas não impactam o abastecimento do Sistema Único de Saúde, informou o Ministério da Saúde.
O saldo dos terremotos
Os tremores registrados na Venezuela no fim de junho deixaram 4.829 mortos, mais de 16 mil feridos e quase 18 mil desabrigados, segundo os números divulgados pelas autoridades e reproduzidos pela Agência Brasil. O balanço subiu ao longo das semanas seguintes, conforme equipes de resgate alcançaram áreas isoladas.
O DistritoNews acompanhou a escalada do número de mortos desde os primeiros balanços oficiais dos terremotos na Venezuela.
A logística sai de Brasília
As operações de ajuda humanitária brasileira são decididas na Esplanada dos Ministérios e executadas com apoio da FAB. O modelo repete o desenho usado em envios recentes a outros países da região, quando cargas de alimentos e insumos foram embarcadas em aeronaves militares após articulação entre o Ministério da Saúde, o Itamaraty e a Defesa.
Em julho, o Brasil já havia usado a mesma estrutura para enviar leite em pó a Cuba em voos da FAB.
Não há, até o momento, anúncio de nova remessa de vacinas. O governo brasileiro afirma que a continuidade da ajuda depende do levantamento de necessidades feito pelas autoridades venezuelanas e pelos organismos internacionais que atuam na região atingida.