Terremotos na Venezuela: mortos chegam a 4.333 e feridos passam de 16 mil
Balanço anunciado pela Assembleia Nacional aponta ainda 17 mil desabrigados; tremores de 24 de junho foram sentidos no Norte do Brasil
O número de mortos nos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 4.333, segundo balanço anunciado na sexta-feira (11) por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Os feridos chegam a 16.740, informou o governo venezuelano.
Os dados, divulgados pela Agência Brasil, mostram a dimensão da maior tragédia natural da história recente do país vizinho. Cerca de 17 mil pessoas estão desabrigadas e 315 corpos ainda não foram identificados.
Dois tremores atingiram o centro-norte venezuelano em sequência naquele dia 24. O primeiro, de magnitude 7,2, teve epicentro no estado de Yaracuy, perto de San Felipe. O segundo, de magnitude 7,5, veio segundos depois, com epicentro próximo a Morón, no estado de Carabobo, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Resgates seguem em poucos pontos
As equipes de resgate retiraram 6.462 pessoas com vida dos escombros desde junho, mas há mais de uma semana nenhum sobrevivente é encontrado. As buscas continuam em um ou dois locais onde a situação permanece incerta, de acordo com as autoridades venezuelanas.
O balanço oficial de danos aponta:
- 4.333 mortos confirmados, dos quais 315 sem identificação;
- 16.740 feridos;
- 6.462 resgatados com vida;
- cerca de 17 mil desabrigados;
- 856 edifícios afetados, sendo 190 com colapso total ou estrutural.
O estado costeiro de La Guaira, vizinho a Caracas, concentra parte expressiva da destruição, com prédios residenciais que desabaram por completo.
Reconstrução começa pela moradia
Delcy Rodríguez, que está à frente da Presidência venezuelana, anunciou que a distribuição de moradias aos desabrigados começa nesta semana, com as primeiras 200 unidades. A necessidade estimada pelo governo é de 25 mil casas.
A tragédia se soma à crise política em Caracas. O DistritoNews mostrou como Delcy Rodríguez assumiu o comando do país em meio à transição de poder e acompanhou os desdobramentos judiciais envolvendo Nicolás Maduro no exterior.
Tremor foi sentido no Norte do Brasil
Os abalos de 24 de junho ultrapassaram fronteiras. Moradores de Manaus relataram ter sentido o tremor, e em Belém prédios de alguns bairros foram esvaziados por precaução, segundo registros da imprensa brasileira na época.
Para Brasília, a crise humanitária no país vizinho tem peso direto na agenda federal. O Brasil abriga uma das maiores comunidades venezuelanas da América do Sul, e decisões sobre fronteira, acolhimento e ajuda humanitária passam pelo Itamaraty e pelos ministérios instalados na capital.
Até o fechamento desta reportagem, o governo venezuelano não havia divulgado novo balanço de vítimas depois do anúncio de 11 de julho.