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Hamas dissolve governo em Gaza e transfere poder a comitê apoiado pela ONU

Comitê Nacional para a Administração de Gaza, sediado no Cairo e presidido por Ali Shaath, assume a gestão civil; desarmamento do grupo segue sem definição

O Hamas dissolveu no dia 6 de julho o comitê que governava a Faixa de Gaza e anunciou a transferência da administração civil do território para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão de tecnocratas apoiado pela ONU. O anúncio foi divulgado pelo grupo e noticiado pela agência Associated Press.

A medida encerra a estrutura administrativa que o Hamas mantinha desde 2007, quando assumiu o controle do território. O órgão extinto, chamado Comitê de Emergência, supervisionava os ministérios locais. Seu chefe, Mohammed al-Farr, formalizou a renúncia.

O NCAG funciona a partir do Cairo, no Egito, e é presidido por Ali Shaath, engenheiro nascido em Gaza que já integrou a Autoridade Palestina. O comitê nasceu do plano de paz costurado pelos Estados Unidos, endossado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro de 2025, que também criou o chamado Conselho da Paz para supervisionar a transição no território.

Shaath disse que o comitê vai "assumir suas responsabilidades nacionais assim que dispuser dos recursos e capacidades necessárias", segundo declaração citada pela imprensa internacional.

O que muda na prática

A transição anunciada é gradual e deixa pontos importantes em aberto:

  • Os ministérios de Gaza e seus servidores seguem trabalhando durante a transferência de comando;
  • O Hamas continua controlando a polícia e a segurança nas áreas que ainda administra;
  • O NCAG assume a gestão civil, mas ainda depende de recursos e estrutura para operar dentro do território;
  • O desarmamento do grupo, exigido na segunda fase do acordo de cessar-fogo, não foi tratado no anúncio.

Origem do acordo

O cessar-fogo começou em outubro de 2025, com mediação de Estados Unidos, Egito e Catar. Na primeira fase, o Hamas libertou os últimos reféns vivos levados no ataque de 7 de outubro de 2023 e as tropas israelenses recuaram para uma linha acordada dentro de Gaza.

O plano criou o Conselho da Paz, presidido pelo presidente americano Donald Trump, para supervisionar a transição. Em novembro de 2025, a Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU deu respaldo internacional ao arranjo e autorizou uma força de estabilização para atuar no território. O NCAG deve coordenar os serviços civis, a entrada de ajuda humanitária e as primeiras etapas da reconstrução, em conjunto com os países doadores.

Impasse continua na segunda fase do acordo

A saída do Hamas do governo era uma etapa prevista no cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025. A fase seguinte do acordo, que combina o desarmamento do grupo com a retirada israelense de mais áreas, está travada há meses. Israel rejeita tanto a permanência do Hamas no poder quanto a entrega do território à Autoridade Palestina.

Desde o início da trégua, cerca de 1.072 palestinos morreram em episódios de violência, segundo dados divulgados pelas autoridades de Gaza. Para os mediadores, a formalização da troca de comando abre caminho para acelerar a ajuda humanitária e a reconstrução, orçada em dezenas de bilhões de dólares.

O tema interessa diretamente a Brasília: o Itamaraty acompanha as negociações e a cidade concentra as representações diplomáticas envolvidas no debate sobre o conflito, incluindo as embaixadas de Israel, do Egito e a delegação palestina.

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