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Zelensky troca premiê na maior reforma de governo desde o início da guerra

Yulia Svyrydenko deixa o cargo após um ano; presidente fala em nova estratégia com foco em defesa antiaérea, União Europeia e Golfo

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou no domingo (12) a substituição da primeira-ministra Yulia Svyrydenko e a renovação do gabinete de ministros, na maior reforma de governo do país desde o início da guerra com a Rússia, em fevereiro de 2022.

Svyrydenko, de 39 anos, estava no cargo havia cerca de um ano. Ela assumiu em julho de 2025, no lugar de Denys Shmyhal, e chefiou o governo em um dos períodos mais duros da história recente do país.

O sucessor não foi anunciado. Zelensky afirmou que a mudança alcança também os comandos de agências de segurança e de aplicação da lei. Pela lei ucraniana, a saída da premiê precisa ser aprovada pelo Parlamento e implica a demissão de todo o governo. Não há data divulgada para a votação.

"A Ucrânia está mudando a sua estratégia política. Cada direção prioritária da política externa será supervisionada por uma pessoa específica", disse Zelensky no anúncio, segundo a rede Al Jazeera.

Foco em armamento, União Europeia e Golfo

Segundo o presidente, a reorganização busca dar prioridade a três frentes: os acordos para produção de sistemas de defesa antiaérea Patriot, o avanço do processo de adesão à União Europeia, da qual a Ucrânia é candidata desde 2022, e o estreitamento das relações com os países do Golfo.

O destino de Svyrydenko entra nessa mesma lógica. Zelensky disse que ela vai liderar "uma nova direção significativa nas relações com um parceiro-chave". O deputado de oposição Yaroslav Zhelezniak afirmou que a ex-premiê deve ser indicada embaixadora nos Estados Unidos.

Reforma repercute na diplomacia

A troca acontece semanas depois de o G7 encerrar a cúpula de Evian com apoio reforçado à Ucrânia. A recomposição do governo ucraniano interessa diretamente à diplomacia brasileira, conduzida a partir do Itamaraty, em Brasília, onde a Ucrânia mantém embaixada.

A reforma de 2025, que levou Svyrydenko ao cargo, já tinha sido apresentada como resposta ao desgaste da guerra. Um ano depois, Zelensky repete o movimento em escala maior, agora com a política externa como eixo declarado da mudança.

Os próximos passos dependem da Rada Suprema, o Parlamento ucraniano, que precisa votar a saída da premiê e confirmar o novo gabinete. Até lá, o governo atual segue em funções.

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