Brasil

Senado dos EUA confirma Daniel Perez embaixador no Brasil por 51 a 47

Indicado de Trump só assume o posto em Brasília depois que o governo brasileiro conceder o agrément, autorização que segue represada

Neste texto3 tópicos
  1. O impasse do agrément
  2. Quem mais foi confirmado no pacote
  3. Por que a demora pesa

O Senado dos Estados Unidos confirmou Daniel Perez como embaixador americano no Brasil na sexta-feira (7), por 51 votos a 47. A votação seguiu a divisão partidária da Casa e fez parte de um pacote de 74 nomeações do presidente Donald Trump, que incluiu 11 embaixadores e cinco indicados para cargos com status equivalente.

A confirmação pelo Senado, porém, não coloca Perez em Brasília. Falta o agrément, a autorização formal que o país anfitrião concede ao chefe de missão estrangeira antes da posse. O governo brasileiro ainda não concedeu esse aval, e é justamente essa demora que virou o centro de uma disputa diplomática entre os dois países.

A pauta interessa diretamente a quem mora em Brasília. A embaixada dos Estados Unidos fica no Setor de Embaixadas Sul e é uma das maiores representações estrangeiras da capital, com centenas de funcionários e um volume de atendimento consular que afeta rotina de vistos, negócios e intercâmbios no Distrito Federal.

O impasse do agrément

Na semana passada, o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. O órgão classificou a medida como resposta recíproca à retenção do agrément de Perez e à negativa de vistos a dois diplomatas americanos. O governo brasileiro repudiou a decisão e rebateu as alegações apresentadas pelos Estados Unidos.

O agrément é praxe consolidada na diplomacia. Antes de anunciar publicamente o nome de um embaixador, o país que indica consulta reservadamente o país de destino. Quando a consulta é aceita, a nomeação avança sem ruído. Quando não é, o processo costuma morrer em silêncio, sem registro público. O caso atual fugiu desse roteiro: a indicação foi levada a voto no Senado americano com a consulta ainda pendente do lado brasileiro.

Enquanto o impasse não se resolve, a embaixada americana em Brasília segue sem embaixador titular confirmado no posto. Na prática, isso reduz o canal direto entre os dois governos em um momento de atrito comercial e diplomático.

Quem mais foi confirmado no pacote

O bloco aprovado pelo Senado americano na sexta destravou postos que estavam vagos havia meses.

  • David Brat, ex-deputado republicano, para a embaixada na Austrália;
  • Michael Kavoukjian, ex-agente da CIA e advogado, para a Noruega;
  • seis indicados para secretário de Estado adjunto, com atribuições no Oriente Médio, na Europa e no Hemisfério Ocidental.

A votação em pacote é o recurso que o Senado americano usa para vencer o acúmulo de indicações represadas por objeções individuais de senadores. Cada nome, isoladamente, pode ser travado por meses.

Por que a demora pesa

Na prática diplomática, missão sem embaixador titular fica a cargo de um encarregado de negócios, diplomata de carreira que responde interinamente pelo posto. Ele conduz a rotina consular e administrativa, mas não carrega o peso político de um chefe de missão nomeado pelo chefe de Estado.

A diferença aparece no acesso. Chefe de missão titular circula com mais facilidade nos gabinetes de primeiro escalão do país onde serve, e resolve por conversa reservada o que, sem ele, exige troca formal de notas. Em período de tensão comercial e de restrição recíproca de vistos, esse atrito adicional custa tempo em cada assunto da pauta bilateral.

Procurado por veículos brasileiros, o Ministério das Relações Exteriores não detalhou prazo para a decisão sobre o agrément. O Departamento de Estado tratou o assunto por meio de uma autoridade sênior, sem identificação nominal.

Leia também: Paraguai convoca embaixador do Brasil após fala de Lula.

Com informações da Agência Brasil e do Correio Braziliense, publicadas em 7 de agosto de 2026.

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