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Morte de JK completa 50 anos e Brasília relembra o dia em que o corpo chegou

Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra, junto com o motorista Geraldo Ribeiro; o enterro reuniu multidão no Campo da Esperança

A morte de Juscelino Kubitschek completa 50 anos neste sábado, 22 de agosto. O ex-presidente que construiu Brasília morreu em 1976, num domingo, quando o Opala em que viajava colidiu com um caminhão Scania-Vabis na curva do km 165 da rodovia Presidente Dutra, no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro.

No carro estava também Geraldo Ribeiro, motorista que trabalhava com JK havia anos. Os dois morreram no local. Kubitschek tinha 73 anos e vivia sob cassação de direitos políticos desde 1964.

O corpo chegou a Brasília na manhã seguinte, segunda-feira, 23 de agosto. Do aeroporto, o caixão seguiu para a catedral e de lá para o cemitério Campo da Esperança, onde foi sepultado. A cidade que ele mandou erguer 16 anos antes parou para o enterro.

O último discurso no Senado

Kubitschek governou o Brasil de 1956 a 1961. O marco do período foi a construção de Brasília e a transferência da capital federal para o Planalto Central, obra que saiu do papel em pouco mais de mil dias. Depois do mandato presidencial, ele se elegeu senador por Goiás.

Em 1964, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos pelo regime militar. No discurso de despedida do Senado, registrado nos arquivos da Casa, JK afirmou que a medida atingia não apenas seus direitos, mas também "o direito dos brasileiros de escolher seus governantes".

Passou os anos seguintes entre o exílio e o Brasil, sem cargo público. Morreu antes de ver a redemocratização.

Onde ele está hoje

Os restos mortais de Juscelino Kubitschek estão hoje no Memorial JK, no Eixo Monumental, projeto de Oscar Niemeyer inaugurado em 1981. A construção guarda a câmara mortuária, objetos pessoais, a biblioteca do ex-presidente e o acervo sobre a construção da capital.

A efeméride de 50 anos vem sendo marcada ao longo de todo o ano de 2026. Em Minas Gerais, estado natal de JK, o governo estadual lançou em março o Ano JK, com exposições, palestras, concursos literários e mostras de cinema que se estendem até 12 de setembro. A programação inclui um simpósio temático sobre os 50 anos da ausência do ex-presidente.

Em Brasília, o acervo relacionado a ele também tem circulado. Cartas escritas por JK ao motorista Geraldo Ribeiro foram restauradas pelo Senado e viraram exposição no TJDFT, aberta à visitação.

Para a cidade, a data tem peso próprio. Brasília é a obra que sobreviveu ao governo, à cassação e ao acidente na Dutra, e o nome do homem que a projetou está no memorial, na ponte sobre o Lago Paranoá e no aeroporto internacional.

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