Economia

Brasil e EUA marcam nova rodada de negociação comercial

MDIC e Itamaraty se reúnem com o USTR na próxima semana após telefonema entre Lula e Trump

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores vão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar a negociação comercial entre os dois países. A data ainda será acertada pelas equipes dos dois governos.

A retomada foi destravada por um telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta-feira, 21 de agosto. A conversa durou uma hora e 20 minutos. Depois dela, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, procurou o Ministério do Desenvolvimento, que confirmou o contato.

Em nota conjunta, o MDIC e o Itamaraty afirmaram que "a sinalização dos dois presidentes cria uma nova oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse comercial".

O que está em disputa

O impasse vem da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar as medidas estão desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o Pix, o etanol e a importação de produtos associados a trabalho forçado.

O Brasil respondeu em duas frentes. Acionou a Organização Mundial do Comércio e pediu consultas, aceitas pelos Estados Unidos, e abriu na Câmara de Comércio Exterior o processo previsto na Lei da Reciprocidade, que autoriza contramedidas quando um parceiro adota barreiras unilaterais. O governo também montou linha de crédito para socorrer exportadores atingidos.

Por que Brasília acompanha de perto

A negociação é conduzida em Brasília, onde ficam o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, e passa pelo Congresso, que aprovou a Lei da Reciprocidade e discute o pacote de socorro aos setores exportadores. As decisões saem da Esplanada e chegam à indústria, ao agronegócio e ao mercado de câmbio.

A reunião com o USTR será a primeira em nível ministerial desde que a sobretaxa entrou em vigor. Não há, até agora, sinalização pública de recuo tarifário por parte de Washington nem prazo definido para uma decisão.

  • Quem negocia pelo Brasil: MDIC e Ministério das Relações Exteriores;
  • Quem negocia pelos EUA: USTR, chefiado por Jamieson Greer;
  • Quando: próxima semana, com data a definir;
  • O que motivou: telefonema entre Lula e Trump em 21 de agosto.

O que já foi feito de socorro

Enquanto a negociação estava travada, o governo montou um pacote para amparar quem exporta aos Estados Unidos. Uma medida provisória abriu R$ 18,5 bilhões em crédito a exportadores atingidos pela sobretaxa, e a ApexBrasil reservou R$ 210 milhões para ações de diversificação de mercado.

A pauta brasileira de exportação aos Estados Unidos concentra produtos industriais e do agronegócio, e o efeito da tarifa varia conforme o setor. Empresas com contratos já fechados foram as primeiras a sentir a diferença de preço na ponta.

O governo brasileiro sustenta que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a sobretaxa não têm fundamento e defende a negociação como caminho para o impasse. Leia também como o Brasil abriu o processo de reciprocidade contra as tarifas dos EUA.

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