CLDF dá 10 dias para Semob explicar retirada de 90 ônibus da Marechal
Ofício pergunta se o GDF avalia intervenção na concessão; Volvo atribui retomada a inadimplência e Marechal diz negociar
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A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa do DF (CLDF) deu 10 dias úteis à Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) para explicar a retirada de circulação de 90 ônibus Volvo da Auto Viação Marechal. O ofício foi enviado na quarta-feira, 28, e noticiado nesta quinta, 29, pelo Metrópoles.
Os coletivos pararam de rodar por determinação judicial expedida em Curitiba (PR), onde o processo tramita em sigilo, segundo a Justiça do Paraná. Os 90 veículos atendem a região de Guará, Ceilândia, P Sul e Taguatinga e fazem parte de uma frota de 530 ônibus da empresa, de acordo com o Metrópoles.
O que a CLDF pergunta à Semob
O ofício é assinado pelo deputado distrital Max Maciel (PSOL), presidente da comissão. O documento cobra quatro informações: as circunstâncias da retirada, a quantidade de viagens programadas que deixaram de ser feitas, a situação atual dos veículos e a previsão para regularizar o serviço.
A comissão também quer saber se os 33 ônibus da frota reserva mobilizados pela Semob bastaram para manter a operação e pede o plano de contingência, caso os coletivos continuem indisponíveis. Outro bloco de perguntas trata da situação econômico-financeira da Marechal, do cumprimento das obrigações de renovação da frota e das medidas de fiscalização da secretaria.
O ponto mais sensível está no fim do ofício: a comissão pergunta se a Semob avalia intervir na concessão ou decretar a caducidade do contrato, caso encontre condições que comprometam o serviço. Em trecho citado pelo Metrópoles, o documento diz que a situação "suscita preocupação quanto à capacidade operacional e econômico-financeira da concessionária" e lembra "problemas já identificados na renovação da frota" e as "sucessivas prorrogações" dos limites de idade dos veículos.
O que dizem Semob, Marechal e Volvo
A Semob afirmou que a retirada cumpre decisão judicial e que acompanha a operação das linhas e dos terminais, atuando junto à concessionária para minimizar impactos aos usuários. A Marechal disse ter sido surpreendida, já que mantém negociação em andamento com a Volvo, e que adotou as providências necessárias para garantir a continuidade do serviço.
A Volvo Financial Services atribuiu a retomada dos veículos à "inadimplência de contrato financeiro" e declarou ter feito inúmeras tentativas de negociação nos últimos seis meses. Segundo a empresa, a ação segue os termos do contrato, e ela busca "alternativas responsáveis" para um acordo que permita o retorno imediato dos ônibus à operação regular. Nenhuma das partes informou valor da dívida nem prazo para a devolução.
Um histórico de renovação de frota
A empresa já esteve no centro de outro debate sobre a frota neste ano. Em julho, o GDF entregou 82 ônibus novos à Marechal na renovação da frota da região. O DN também acompanha as discussões sobre a política de passagens e a gratuidade, como na estudo da Semob sobre tarifa zero.
O prazo de 10 dias úteis conta a partir do ofício. Até a publicação desta nota, a Semob não havia divulgado resposta à comissão nem previsão de quando os 90 ônibus voltam às ruas. Quem depende das linhas da região pode consultar a Semob e a própria concessionária sobre alterações de itinerário.
Fonte: Metrópoles (29/10/2026), com notas da Semob-DF, da Marechal e da Volvo Financial Services reproduzidas na reportagem.