Morre veterinária atacada por cão no canil do Senado Federal
Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, estava internada no Hospital de Base desde terça-feira
A médica-veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, morreu na madrugada deste sábado (22), no Hospital de Base de Brasília, quatro dias depois de ser atacada por um cão no canil do Senado Federal. A morte foi confirmada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do DF e informada pela Agência Brasil.
O ataque aconteceu na terça-feira (18), no canil da Polícia Legislativa, onde ficam os cães usados em patrulhamento e na detecção de drogas, explosivos e armas. Vitória alimentava um pastor-belga-malinois quando foi mordida no pescoço, teve hemorragia e sofreu parada cardiorrespiratória. Ela foi socorrida por um policial legislativo, que prestou os primeiros atendimentos e acionou o serviço médico.
Levada ao Hospital de Base, ela foi operada pela equipe de Cirurgia do Trauma e permaneceu internada na unidade de terapia intensiva até a morte, na manhã deste sábado. O Senado informou que o cão envolvido no ataque foi retirado das atividades.
Quem era a profissional
Vitória era veterinária e adestradora. Foi estagiária do Senado entre 2022 e 2024 e voltou à Casa como profissional terceirizada, contratada pela Polo Administração, empresa que presta serviço de cuidado com os cães do Serviço de Cinotecnia.
Em nota, o Senado Federal lamentou a morte e disse que ela será lembrada pela "dedicação com que sempre desempenhou suas atividades".
"O Senado Federal lamenta o falecimento de Vitória Valle de Oliveira Pinha, que atuava como tratadora de animais no Serviço de Cinotecnia da Casa. Neste momento de dor, o Senado expressa sua solidariedade à família, amigos e colegas de trabalho de Vitória, lembrada pela dedicação com que sempre desempenhou suas atividades", diz o comunicado da instituição.
O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) manifestou profundo pesar e se colocou à disposição da família. "Neste momento de dor, o Sindilegis expressa solidariedade à família, aos amigos e aos colegas de trabalho", diz a nota da entidade.
O que ainda não foi esclarecido
O Senado não informou até a publicação desta reportagem se abriu sindicância sobre o caso nem quais protocolos de segurança estavam em vigor no manejo dos animais. Também não houve divulgação oficial sobre eventual apuração pela Polícia Civil do DF ou sobre o destino do animal depois de retirado das atividades.
A Polo Administração não se manifestou publicamente sobre a morte da profissional. Nenhum dos comunicados divulgados até agora trata das circunstâncias do manejo do animal no momento do ataque.
Por que o caso interessa a quem trabalha em Brasília
O Serviço de Cinotecnia do Senado é uma estrutura de segurança que funciona dentro do complexo do Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Os cães são treinados para farejar entorpecentes e material explosivo em áreas de circulação e em eventos oficiais, e o trabalho de manejo é executado, em boa parte, por profissionais terceirizados.
Acidentes de trabalho com trabalhador terceirizado em órgão público seguem a mesma regra dos demais: cabe à empresa contratada a comunicação do acidente e à contratante a fiscalização das condições de trabalho. A discussão sobre as condições dos contratos terceirizados no serviço público tramita no Congresso, como no caso do projeto que cria cota de 20% para mulheres em contratos terceirizados, aprovado em comissão neste mês.