Economia

Petróleo mais caro eleva em R$ 5,2 bi o gasto das aéreas com combustível

Querosene de aviação acumula alta de 49% desde fevereiro e já responde por 39% dos custos das companhias, segundo a Abear

As companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 5,2 bilhões a mais com querosene de aviação em 2026 por causa da alta do petróleo no mercado internacional. O cálculo é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e considera o efeito da escalada de preços provocada pelo conflito no Oriente Médio.

O querosene de aviação, conhecido pela sigla QAV, acumula alta de 49% desde o fim de fevereiro, quando as tensões na região se intensificaram. O último reajuste, de 1,9%, foi anunciado pela Petrobras em 1º de agosto. Em maio, no pico da volatilidade, o preço chegou a dobrar em relação ao patamar anterior ao início do conflito.

O combustível já é 39% do custo

A escalada mudou a estrutura de despesas do setor. O QAV passou a representar 39% dos custos das empresas, contra 32% antes do início da guerra. É a maior linha isolada de gasto de uma companhia aérea, à frente de arrendamento de aeronaves, manutenção e pessoal.

O impacto atinge as três maiores operadoras do país, Azul, Gol e Latam, que juntas concentram a quase totalidade do mercado doméstico. Quando o custo sobe nessa proporção, as empresas dispõem de um conjunto limitado de respostas:

  • repassar parte da alta para a tarifa, o que pressiona o preço da passagem;
  • reduzir a oferta em rotas de menor demanda, o que diminui a concorrência e também empurra o preço para cima;
  • trocar aeronaves antigas por modelos mais eficientes, medida que depende de prazo e de capital;
  • absorver o custo na margem, alternativa que o setor vem indicando ser insustentável no ritmo atual.

Por que o querosene brasileiro segue o exterior

O QAV vendido no Brasil acompanha a cotação internacional do petróleo e a variação do câmbio, porque a Petrobras adota política de paridade com o mercado externo. Quando o barril sobe em Londres ou em Nova York, a conta chega às distribuidoras nacionais em poucas semanas.

Há ainda um componente tributário. O ICMS sobre o querosene varia de estado para estado, o que torna o abastecimento mais caro em alguns aeroportos e influencia a escolha das companhias sobre onde completar tanque. O setor cobra há anos uma alíquota uniforme, discussão que segue sem definição no Congresso.

O que muda para quem viaja de Brasília

O Aeroporto Internacional de Brasília é um dos principais pontos de conexão do país, com voos que ligam o Centro-Oeste ao Norte, ao Nordeste e ao Sudeste. A estrutura de hub torna a malha da capital sensível a cortes de oferta, porque uma rota suprimida costuma afetar também os passageiros que só passariam por Brasília a caminho de outro destino.

Para o consumidor, o efeito prático aparece na antecedência da compra e na flexibilidade de datas. Em cenário de custo alto e oferta ajustada, as tarifas promocionais tendem a ficar mais raras nos períodos de pico, como as férias de julho e o fim de ano.

A Abear não divulgou projeção de reajuste médio das passagens. O setor argumenta que o repasse integral do custo é inviável porque reduziria a demanda, e defende a redução da carga tributária sobre o combustível como caminho para conter a pressão.

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