Ata do Copom aponta desaceleração da inflação e mantém alerta de risco
Documento divulgado nesta terça reforça que os juros precisam seguir em nível restritivo, mesmo após o corte da Selic para 14% ao ano
O Banco Central afirmou nesta terça-feira, 11 de agosto, que a inflação ao consumidor desacelerou nas leituras mais recentes, mas continua acima do limite superior da meta e exige juros em patamar restritivo. A avaliação está na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) encerrada em 5 de agosto, quando a taxa Selic foi definida em 14% ao ano.
No documento, o colegiado diz que a decisão é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta" e registra que "a política monetária vem contribuindo de forma importante para o processo de desinflação".
Ao mesmo tempo, o comitê afirma que "a inflação continua pressionada pela demanda" e que "os juros ainda precisam permanecer em nível restritivo". As expectativas de inflação, segundo a ata, "permanecem elevadas em um cenário de riscos".
O que pesa no cenário do Copom
A ata descreve um mercado de trabalho ainda aquecido, com desemprego em patamar historicamente baixo, embora o ritmo de criação de ocupação venha desacelerando. Renda e emprego firmes sustentam o consumo e dificultam a queda mais rápida dos preços de serviços, componente que costuma responder com atraso à política monetária.
No cenário externo, o comitê aponta incerteza elevada, com destaque para os conflitos no Oriente Médio e para a condução da política monetária nas economias avançadas. As projeções do Banco Central partem de câmbio a R$ 5,10 por dólar, referência tirada do Boletim Focus.
- Taxa Selic definida na reunião: 14% ao ano
- Reunião do Copom encerrada em 5 de agosto
- Ata divulgada em 11 de agosto
- Câmbio de referência das projeções: R$ 5,10 por dólar
O efeito prático no bolso do brasiliense
A Selic é a referência para o custo do crédito no país. Enquanto a taxa segue em dois dígitos altos, financiamento imobiliário, crédito consignado, cheque especial e rotativo do cartão continuam caros, e aplicações atreladas ao CDI seguem com retorno elevado.
Para quem tem dívida em aberto, a mensagem da ata indica que o alívio no custo do crédito deve ser gradual. Para quem investe em renda fixa, a manutenção do juro alto prolonga a janela de rendimento acima da inflação.
O DistritoNews acompanha os efeitos do crédito na economia local, como o programa de R$ 1 bilhão do BRB para empreendedores do DF.
O que é a ata e por que ela move o mercado
O Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central e se reúne a cada 45 dias para definir a taxa básica de juros. A decisão sai na quarta-feira da reunião, em comunicado curto. A ata, divulgada na terça-feira seguinte, traz o raciocínio por trás do voto e é o documento que o mercado usa para calibrar a expectativa sobre os próximos encontros.
É nesse detalhamento que analistas procuram o grau de convicção do colegiado. Expressões sobre o horizonte relevante da política monetária, sobre a assimetria dos riscos e sobre a persistência da inflação de serviços costumam mexer com a curva de juros futuros no dia seguinte à publicação.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Isso coloca o teto em 4,5%. Ao registrar que a inflação segue acima do limite superior, a ata indica que o índice acumulado ainda não voltou para dentro do intervalo.
Próximos passos
O Copom volta a se reunir em setembro. Até lá, o comitê afirma que vai acompanhar a evolução das expectativas de inflação, o comportamento da atividade econômica e o cenário fiscal antes de sinalizar o ritmo dos próximos passos. A ata não apresenta compromisso com magnitude ou calendário de cortes futuros.