Economia

BNDES tem lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre

Aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões, alta de 52% em um ano, com infraestrutura puxando o avanço

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou nesta quarta-feira (12) lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses encerrados em junho, o resultado chegou a R$ 17,1 bilhões, o maior da série histórica do banco.

As aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões nos seis primeiros meses do ano, um salto de 52% ante o mesmo intervalo de 2025. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, classificou o desempenho como "um balanço extraordinário".

Onde o crédito foi aprovado

A infraestrutura liderou o avanço, com R$ 46 bilhões aprovados e crescimento de 91% em um ano. A agropecuária veio em seguida, com R$ 24,8 bilhões e alta de 46%. A indústria respondeu por R$ 22,5 bilhões, com avanço de 24%, e comércio e serviços somaram R$ 17,3 bilhões, alta de 27%.

  • Infraestrutura: R$ 46 bilhões, alta de 91%
  • Agropecuária: R$ 24,8 bilhões, alta de 46%
  • Indústria: R$ 22,5 bilhões, alta de 24%
  • Comércio e serviços: R$ 17,3 bilhões, alta de 27%

O apoio a micro, pequenas e médias empresas alcançou R$ 108,2 bilhões, recorde para o período, com crescimento de 22% em relação a 2025.

Aprovação e desembolso são etapas distintas do funil de crédito do banco. As liberações efetivas somaram R$ 36,2 bilhões no semestre, alta de 44% sobre 2025, com R$ 13,4 bilhões em infraestrutura, R$ 9,1 bilhões na agropecuária e R$ 8 bilhões na indústria. A carteira de consultas, que reúne os pedidos ainda em análise e indica o crédito que pode ser aprovado nos próximos trimestres, chegou a R$ 84,4 bilhões.

Na comparação de prazo mais longo, os desembolsos do semestre ficaram 145% acima dos registrados no mesmo período de 2022. O banco vinha de anos de retração da carteira, iniciada na segunda metade da década passada, quando devolveu ao Tesouro Nacional parte dos aportes recebidos entre 2008 e 2014.

Carteira, ativos e inadimplência

A carteira de crédito do banco chegou a R$ 684 bilhões, o maior nível desde 2016. Os ativos totais somaram R$ 1,05 trilhão e o patrimônio líquido, R$ 181 bilhões, ambos recordes.

A inadimplência acima de 90 dias ficou em 0,05% da carteira. No Sistema Financeiro Nacional, o indicador geral está em 4,68% e, no recorte de grandes empresas, em 0,66%.

A diferença entre a inadimplência do BNDES e a do sistema financeiro se explica pelo perfil das operações do banco, concentradas em financiamento de longo prazo com garantias reais e, em boa parte, repassadas por instituições credenciadas.

O que o resultado sinaliza

O crescimento de 91% nas aprovações de infraestrutura indica retomada de projetos de longo prazo, faixa em que o BNDES concentra a atuação porque o mercado privado costuma oferecer prazos mais curtos. Estados e municípios que buscam financiamento nessa linha dependem de projeto aprovado, aval do Tesouro Nacional quando exigido e espaço de endividamento dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O balanço completo, com as demonstrações financeiras auditadas e a abertura por setor, está disponível na área de relações com investidores do BNDES.

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