CNI: confiança do empresário industrial é a menor desde a pandemia
ICEI cai 2,3 pontos em julho, para 44,4; expectativas têm a maior queda desde 2022 com incerteza sobre o tarifaço dos EUA
A confiança do empresário industrial brasileiro caiu em julho ao menor nível desde o auge da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou 2,3 pontos e marcou 44,4 pontos, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), sediada em Brasília.
Abaixo de 50 pontos, o indicador aponta falta de confiança. É a situação do setor há 19 meses seguidos, a segunda maior sequência de pessimismo da série histórica, atrás apenas do período de recessão entre 2015 e 2016.
Em junho, o índice estava em 46,7 pontos.
Expectativas têm o maior tombo desde 2022
Os dois componentes do ICEI pioraram em julho:
- Condições atuais: 41,6 pontos, queda de 0,7 ponto. Os empresários avaliam que o ambiente de negócios e a economia estão piores do que há seis meses;
- Expectativas: 45,8 pontos, recuo de 3,1 pontos, a maior queda desde novembro de 2022.
Para a CNI, a deterioração das expectativas está ligada ao aumento das incertezas no cenário internacional, com a escalada dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de retomada das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A decisão americana sobre a sobretaxa de 25% tem prazo justamente nesta quarta-feira (15), como mostrou o DistritoNews na cobertura do tarifaço.
Pessimismo prolongado trava produção e investimento
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, avalia que a persistência do desânimo tem efeito direto na atividade.
"Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos", afirma Azevedo.
A pesquisa ouviu 1.118 empresas entre os dias 1º e 7 de julho: 442 de pequeno porte, 411 de médio e 265 de grande porte.
Sinal negativo se soma a outros indicadores da indústria
O ICEI de julho reforça uma sequência de dados fracos do setor. O PMI industrial de junho já havia mostrado atividade perto da estagnação, e a produção industrial recuou em maio, segundo o IBGE.
Para o brasiliense, o humor da indústria pesa menos que em estados industrializados, mas não é indiferente: a CNI e as principais entidades do setor funcionam na capital, onde também se decide a política econômica que responde a esses números, do Ministério da Fazenda ao Banco Central.
A próxima leitura do ICEI, referente a agosto, deve mostrar se a definição sobre as tarifas americanas muda o ânimo dos empresários ou aprofunda o pessimismo.