Economia

Durigan nega inércia da União na crise do BRB e culpa o GDF

Ministro da Fazenda falou em audiência de conciliação no STF conduzida por Luiz Fux e citou dez reuniões sobre o caso

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou nesta quinta-feira (13) a acusação de que o governo federal tenha agido com inércia na crise do BRB e disse que a responsabilidade pela situação do banco é do Governo do Distrito Federal. A declaração foi dada em audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), conduzida pelo ministro Luiz Fux.

"A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF, com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis", afirmou Durigan, segundo relato do Correio Braziliense sobre a audiência.

A audiência foi pedida pelo GDF, que alegou falta de avanço da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na negociação do empréstimo necessário para recompor o capital do banco. Durigan respondeu que as equipes da Fazenda participaram de dez reuniões sobre o tema e apresentaram alternativas técnicas ao longo do processo.

A origem do rombo

A crise do BRB vem da compra de ativos do Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. O banco público do DF precisa de capitalização para absorver as perdas com papéis que se mostraram sem lastro.

Em julho, o próprio Durigan já havia descrito a operação em termos duros ao dizer que o BRB repassou cerca de R$ 12 bilhões ao Master e recebeu ativos sem valor equivalente em troca. A frase foi dita em audiência pública e passou a ser citada nas discussões sobre quem deve arcar com a conta.

Parte dos ativos do BRB já foi negociada no mercado durante a crise, movimento que o Distrito News acompanhou ao noticiar a aquisição de ativos do banco pelo Itaú. A operação reduziu parte da exposição, mas não encerrou a necessidade de recomposição de capital.

O GDF sustenta que o socorro precisa de participação federal porque o BRB é parte do sistema financeiro nacional e porque o FGC teria papel na solução. A União, por sua vez, tem repetido que o desenho da operação de compra dos ativos foi decisão da administração do banco e do controlador, que é o próprio governo distrital.

O que está em jogo para o DF

O BRB é o banco onde o GDF movimenta folha de pagamento, programas sociais e crédito para pequenos negócios. Uma solução de capitalização define o tamanho do impacto no orçamento distrital e a capacidade do banco de continuar operando linhas voltadas ao comércio e à habitação no Distrito Federal.

Enquanto o acordo não sai, a discussão segue no STF, no processo em que o GDF pediu a intermediação da corte. Não há prazo definido para uma nova audiência de conciliação.

  • O que o GDF alega: inércia da União e do FGC na negociação da capitalização
  • O que a Fazenda responde: dez reuniões realizadas e apresentação de alternativas técnicas
  • Origem da crise: compra de ativos do Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025
  • Onde tramita: audiência de conciliação no STF, com o ministro Luiz Fux

Procurado pela imprensa, o GDF tem defendido que a negociação depende de decisão federal. O Banco de Brasília não se manifestou sobre as declarações do ministro até a publicação desta reportagem.

Leia também: Celina nega participação em decisões sobre o BRB e a crise do Banco Master.

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