FGV estima alta de 0,3% do PIB no 2º trimestre e aponta desaceleração
Monitor do PIB mostra queda de 1,1% em junho ante maio; consumo das famílias cresceu 2,6% e a taxa de investimento ficou em 18,5%
A economia brasileira cresceu 0,3% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, segundo o Monitor do PIB divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O resultado aponta perda de ritmo na atividade.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 1,7%. No acumulado de 12 meses até junho, a taxa ficou em 1,8%. Em valores correntes, o PIB do primeiro semestre somou R$ 6,557 trilhões.
O número é uma estimativa da FGV, não o dado oficial. O resultado definitivo do segundo trimestre é calculado pelo IBGE, nas Contas Nacionais Trimestrais, e sai depois. O Monitor do PIB funciona como prévia mensal e costuma antecipar a direção do indicador oficial.
Junho puxou o trimestre para baixo
O desempenho de junho ajuda a explicar a desaceleração. No mês, a atividade caiu 1,1% ante maio. Na comparação com junho de 2025, houve alta de 1,9%.
Segundo o Ibre/FGV, a perda de ritmo apareceu nas três grandes atividades, agropecuária, indústria e serviços, e na maior parte dos componentes da demanda. A coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, afirmou que o crescimento de 0,3% no trimestre mostra desaceleração da economia.
Consumo e investimento no trimestre
- Consumo das famílias: alta de 2,6%;
- Formação bruta de capital fixo, que mede o investimento: alta de 1,6%;
- Exportações de bens e serviços: alta de 4,5%;
- Importações de bens e serviços: alta de 5,7%;
- Taxa de investimento: 18,5% do PIB.
As importações crescendo acima das exportações reduzem a contribuição do setor externo para o resultado. Já a taxa de investimento em 18,5% segue como um dos indicadores acompanhados de perto por quem avalia a capacidade de crescimento da economia nos próximos anos.
O que isso muda em Brasília
A atividade econômica mais lenta chega ao Distrito Federal por dois canais. O primeiro é a arrecadação: consumo em desaceleração significa menos ICMS e ISS ao longo dos meses seguintes, o que aperta o espaço de manobra do GDF no Orçamento. O segundo é o mercado de trabalho, que responde à atividade com defasagem de alguns meses.
O quadro também entra na conta do Banco Central. Com a Selic em trajetória de queda ao longo de 2026, o ritmo da atividade é uma das variáveis observadas pelo Copom, que já vinha sinalizando desaceleração gradual da economia na ata da última reunião.
A prévia da FGV também serve de teste para as projeções do mercado. No Boletim Focus de 10 de agosto, a mediana das estimativas para o crescimento do PIB em 2026 estava em 1,98%, número que passa a ser confrontado com a leitura trimestre a trimestre da atividade.
Quando sai o dado oficial
O IBGE divulga o PIB do segundo trimestre em data própria de calendário, e é esse número que serve de referência para revisões de projeções de bancos e consultorias. Até lá, o Monitor da FGV é a leitura mais recente disponível sobre o desempenho da economia no período.
A diferença entre a prévia e o dado oficial costuma ser pequena na direção e maior na magnitude, porque o Monitor trabalha com informações parciais e o IBGE fecha a conta com a base completa das Contas Nacionais. Por isso, o número da FGV serve para indicar tendência, não para substituir o resultado oficial.