Focus: projeção de inflação cai para 5,15% e Selic segue em 14% para 2026
Terceira semana seguida de queda na expectativa do IPCA; crédito continua caro e Copom volta a decidir os juros em 4 e 5 de agosto
A projeção do mercado financeiro para a inflação de 2026 caiu pela terceira semana seguida e chegou a 5,15%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (20). A expectativa para a taxa Selic no fim do ano seguiu em 14%.
O levantamento, que resume as apostas de instituições financeiras coletadas até sexta-feira (17), mostra um recuo lento, mas consistente: a mediana do IPCA projetado para este ano estava em 5,16% na semana passada e em 5,33% há um mês.
Ainda assim, o número segue longe do conforto. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com tolerância até 4,5%. Pela projeção atual, 2026 terminaria com a inflação quase 0,7 ponto acima do limite tolerado.
O que isso muda no bolso do brasiliense
Para quem vive no Distrito Federal, o relatório traz dois recados práticos. O primeiro é que a inflação, embora em desaceleração, continua alta o suficiente para seguir pressionando supermercado, aluguel e serviços, itens que pesam mais no orçamento de quem mora nas regiões administrativas com renda menor.
O segundo é que o crédito vai continuar caro. A Selic está hoje em 14,25% ao ano, e a projeção de 14% para dezembro indica apenas mais um corte de 0,25 ponto até o fim do ano. Juro básico em dois dígitos mantém elevadas as taxas do financiamento imobiliário, do crédito consignado e do rotativo do cartão, e ainda favorece aplicações conservadoras como o Tesouro Selic e o CDB.
Resumo do Focus de 20 de julho: IPCA 2026 em 5,15%; Selic em 14% ao ano no fim de 2026; dólar a R$ 5,20; PIB com alta projetada de 1,99%.
Os números da semana
As principais medianas do relatório desta segunda-feira:
- IPCA 2026: 5,15% (5,16% na semana anterior);
- IPCA 2027: 4,20%, dentro do intervalo de tolerância da meta;
- Selic fim de 2026: 14% ao ano; fim de 2027: 12%;
- Dólar: R$ 5,20 no fim de 2026 e R$ 5,28 no fim de 2027;
- PIB: crescimento de 1,99% em 2026 e de 1,65% em 2027.
Próxima parada: Copom decide juros em 4 e 5 de agosto
A decisão que pode confirmar ou frustrar a aposta do mercado sai na 280ª reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Foi o Copom que iniciou, em maio, o atual ciclo de cortes graduais, seguido da redução que levou a Selic a 14,25% ao ano em junho.
Como o Banco Central, o Ministério da Fazenda e os principais órgãos de decisão econômica ficam em Brasília, a semana das reuniões do Copom costuma movimentar a agenda da Esplanada e o noticiário local, com impacto direto sobre servidores, comércio e mercado imobiliário da capital.
O Focus é publicado toda segunda-feira e funciona como termômetro das expectativas do mercado entre uma reunião e outra do Copom. Na edição anterior, o levantamento já havia mostrado a queda da projeção de inflação para 5,16%, movimento que agora se repete em ritmo mais suave.
A próxima edição do boletim sai no dia 27 de julho, última leitura completa das expectativas antes da decisão de agosto sobre os juros.
O que observar até lá
Antes da reunião do Copom, o calendário econômico ainda reserva a divulgação do IPCA-15 de julho pelo IBGE, prévia oficial da inflação do mês. O indicador é acompanhado de perto pelo mercado porque antecipa a tendência do índice cheio e pode mexer nas medianas do próximo Focus.
Para o consumidor do DF, a recomendação dos próximos meses segue a mesma dos últimos: comparar preços antes de compras grandes, evitar o rotativo do cartão, que é a linha de crédito mais cara do país, e aproveitar o juro alto para reforçar a reserva de emergência em aplicações atreladas à Selic.