Economia

Governo libera R$ 1,3 bilhão do Funttel para financiar data centers

Recurso será operado por BNDES e Finep no triênio 2026-2028, com exigência de 30% em tecnologia nacional

O Ministério das Comunicações liberou R$ 1,3 bilhão do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações, o Funttel, para financiar a construção e a modernização de data centers e de redes de internet no país entre 2026 e 2028. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (26/8) pelo ministro Frederico de Siqueira Filho e publicado pelo Poder360.

O dinheiro não sai direto do ministério para as empresas. O Funttel opera por meio de duas instituições financeiras credenciadas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep. São elas que analisam os projetos, definem as condições de crédito e assumem o risco da operação. O valor anunciado é o teto do triênio, distribuído conforme a demanda apresentada pelas empresas.

"Estamos colocando recursos à disposição das empresas para ampliar a infraestrutura digital do país, fortalecer as redes de internet e acelerar a implantação de data centers", afirmou o ministro.

A regra dos 30% de tecnologia nacional

A liberação vem com uma contrapartida. Pelo menos 30% do valor financiado precisa ser destinado à compra de tecnologias desenvolvidas no Brasil. A exigência tenta reduzir a dependência de equipamento importado num setor em que praticamente todo o hardware de rede e de armazenamento vem de fora, e é o tipo de cláusula que costuma definir quais empresas conseguem, na prática, acessar a linha.

O Funttel foi criado para financiar inovação em telecomunicações e é abastecido por contribuições do próprio setor, cobradas sobre a receita das operadoras. É recurso carimbado: só pode ser aplicado em projetos de desenvolvimento tecnológico ligados à área.

Por que o assunto voltou à pauta

Data center deixou de ser assunto de departamento de tecnologia e virou disputa de política industrial. A demanda por capacidade de processamento cresceu com a inteligência artificial, que exige máquinas mais caras, mais energia e mais refrigeração do que a hospedagem tradicional de sites e sistemas. Cada novo galpão dessa natureza puxa consumo elétrico, uso de água e demanda por fibra ótica.

No Congresso, o tema aparece nas duas pontas. De um lado, projetos de incentivo à instalação de novos centros de dados no país, com desoneração de equipamento. De outro, audiências sobre o custo ambiental dessas estruturas, especialmente energia e água usadas na refrigeração.

  • Origem do recurso: Funttel, fundo setorial das telecomunicações.
  • Valor: R$ 1,3 bilhão para o triênio 2026-2028.
  • Operadores do crédito: BNDES e Finep.
  • Contrapartida: no mínimo 30% em tecnologia desenvolvida no Brasil.
  • Destino: expansão e modernização de data centers e de infraestrutura de conexão à internet.

O que muda para quem está em Brasília

A capital concentra parte relevante da infraestrutura digital do governo federal. O Serviço Federal de Processamento de Dados, o Serpro, tem sede em Brasília e opera os sistemas que sustentam Receita Federal, comércio exterior e boa parte dos serviços do gov.br. É a estatal que processa declaração de imposto de renda, despacho aduaneiro e emissão de documentos digitais para todo o país.

O governo já enviou ao Congresso um projeto de lei que destina R$ 34,9 milhões ao Serpro para ampliar a capacidade de um de seus centros de dados. A linha do Funttel agora anunciada é de outra natureza, voltada ao setor privado, mas mira o mesmo gargalo: falta capacidade instalada para atender à demanda de processamento que a inteligência artificial criou.

Não há, até esta publicação, lista pública dos projetos que já teriam sido enquadrados na linha nem cronograma de desembolso divulgado pelo BNDES ou pela Finep.

Leia também: Projeto destina R$ 34,9 milhões ao Serpro para datacenter em SP.

4 visualizações