Economia

iFood movimenta R$ 167 bilhões e injeta R$ 1,9 bi no DF, diz Fipe

Estudo mede a atividade econômica da plataforma em 2025; no Distrito Federal, o crescimento foi de 22,4%

A atividade econômica ligada ao iFood movimentou R$ 167 bilhões no Brasil em 2025, o equivalente a 0,70% do Produto Interno Bruto do país, segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgado na segunda-feira, 25. No Distrito Federal, o valor foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 22,4% em um ano, acima da média nacional de 19%.

O recorte local corresponde a 0,45% do PIB do Distrito Federal e está associado a 21 mil postos de trabalho diretos e indiretos, na conta da fundação. No país, o estudo estima 1,18 milhão de postos gerados em 2025, o que representa mais de 1% da população ocupada e uma alta superior a 10% sobre o ano anterior.

Como o estudo compara com o PIB dos estados

A comparação que dá o tamanho do número é com o PIB estadual. Os R$ 167 bilhões superam o produto estimado de seis unidades da federação, entre elas Rondônia, com R$ 88 bilhões, Tocantins, com R$ 74 bilhões, e Sergipe, com R$ 70 bilhões. Vale a ressalva metodológica: o estudo mede atividade econômica encadeada, que inclui o gasto do consumidor, a produção dos restaurantes e os efeitos indiretos na cadeia, e não o faturamento da empresa.

A Fipe também calculou o efeito multiplicador. A cada R$ 1.000 gastos na plataforma, o estudo estima R$ 1.399 adicionais gerados na economia. Desde 2020, o valor movimentado cresceu 175%, ritmo 2,5 vezes maior que o do PIB nacional no mesmo período.

"Os resultados desta pesquisa reforçam o papel do iFood como empresa de tecnologia construída no Brasil e para o Brasil", afirmou João Sabino, vice-presidente de políticas públicas da companhia.

O que o número não responde

O estudo foi encomendado pela própria plataforma, o que pede leitura cuidadosa dos recortes. A conta de postos de trabalho soma vínculos diretos, indiretos e ocupações sem vínculo formal, categoria em que entram os entregadores cadastrados. O material divulgado não detalha a renda média nem a jornada desses entregadores no Distrito Federal, e a discussão sobre o enquadramento trabalhista do trabalho por aplicativo segue em aberto no Supremo Tribunal Federal.

Para a economia local, o dado tem uso prático: o crescimento de 22,4% no DF em um ano indica ampliação do consumo por aplicativo em uma unidade da federação com renda média alta e forte concentração de serviços. O peso de 0,45% do PIB distrital é menor que o percentual nacional de 0,70%, diferença que o material divulgado não explica.

O ritmo de expansão é o dado mais consistente do levantamento. Enquanto o valor movimentado pela plataforma cresceu 175% desde 2020, o PIB brasileiro avançou em ritmo 2,5 vezes menor no mesmo intervalo, na comparação feita pela Fipe. A base de partida, porém, é bem diferente: a plataforma vinha de um patamar pequeno em 2020, ano em que o isolamento da pandemia empurrou o consumo para o delivery.

O efeito multiplicador de R$ 1.399 a cada R$ 1.000 gastos mede encadeamento, e não lucro. Ele soma o que o restaurante compra do fornecedor, o que o fornecedor compra do produtor e o consumo das famílias que recebem renda em cada etapa. Estudos de impacto econômico com essa metodologia dependem das matrizes de insumo-produto usadas como base e costumam produzir números maiores que os do faturamento direto da empresa avaliada.

A regulação do setor também avançou por outra frente neste ano. Leia também: Anvisa libera venda de medicamentos por apps como iFood e Rappi.

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