Economia

Ibovespa cai pela 9ª vez seguida e dólar fecha a R$ 5,22 nesta sexta

Índice acumula perda de 3,27% na semana e estrangeiros já retiraram R$ 11,93 bilhões da B3 em agosto

O Ibovespa fechou esta sexta-feira, 14 de agosto, aos 166.934,20 pontos, queda de 0,10%, na nona sessão consecutiva de perdas, a maior sequência negativa desde agosto de 2023. No mesmo pregão, o dólar comercial subiu 0,52% e terminou o dia cotado a R$ 5,2199 na venda, o quarto avanço seguido da moeda americana.

Na semana, o principal índice da bolsa brasileira acumulou baixa de 3,27%. Nas nove sessões de queda, o recuo somado chega a 6,25%. Mesmo assim, o Ibovespa ainda sobe 3,57% em 2026. O movimento financeiro do dia ficou em cerca de R$ 27 bilhões, segundo a CNN Brasil.

Na véspera, quinta-feira 13, o índice havia fechado aos 167.100,95 pontos, com recuo de 0,23%, e o dólar terminara a R$ 5,193.

O que puxou o mercado para baixo

A pressão veio de três frentes que se reforçaram ao longo da semana: a alta dos juros futuros de prazo mais longo, a retomada da preocupação com as contas públicas e a proximidade do calendário eleitoral. Investidores também aguardavam a divulgação de uma pesquisa presidencial do instituto Quaest, prevista para as 18h desta sexta.

O componente mais concreto da queda, porém, está no fluxo. Dados da B3 mostram que o investidor estrangeiro está retirando dinheiro da bolsa brasileira em ritmo que não se via desde 2021:

  • Saída de R$ 11,93 bilhões nos sete primeiros pregões de agosto, até o dia 11.
  • Em um único dia, 11 de agosto, os estrangeiros sacaram R$ 4,7 bilhões, o maior volume diário desde 22 de abril de 2021, quando a retirada foi de R$ 6,6 bilhões.
  • O mês já é o segundo com maior saída em 2026, atrás apenas de maio, que registrou R$ 14,91 bilhões.
  • Junho teve saída de R$ 7,79 bilhões e julho, entrada de R$ 2,56 bilhões.
  • O ano começou no sentido oposto: entraram R$ 26,31 bilhões em janeiro, R$ 15,40 bilhões em fevereiro e R$ 11,66 bilhões em março.

A conta ainda é positiva no acumulado do ano, com saldo de R$ 24,4 bilhões, mas o ritmo de agosto encurta essa margem a cada pregão.

"Com apenas sete pregões contabilizados, agosto já acumula uma saída equivalente a cerca de 80% de todo o volume retirado em maio", afirmou Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, em levantamento com base nos dados da B3.

Para o diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, o preço baixo dos ativos brasileiros não basta para reverter o quadro. "Mesmo barata, a Bolsa brasileira precisa de um gatilho claro para atrair capital", disse.

O que o dólar a R$ 5,22 muda no bolso

A moeda americana no maior patamar desde o fim de janeiro tem efeito direto no orçamento de quem mora em Brasília, ainda que com atraso de algumas semanas. O câmbio entra no preço de combustíveis, de eletrônicos, de remédios com insumo importado e de passagens aéreas internacionais. Também encarece quem viaja para fora do país ou paga assinatura de serviço digital cobrada em dólar.

No sentido contrário, o dólar mais caro favorece exportadores e o produtor rural que vende commodity cotada no exterior. É por isso que empresas de setores diferentes reagiram de forma oposta no pregão desta sexta.

O câmbio também conversa com a taxa de juros. Dólar em alta pressiona a inflação de bens importados, o que reduz o espaço para corte da Selic e mantém o crédito caro. O boletim Focus, do Banco Central, é o termômetro semanal dessa expectativa, como o DistritoNews mostrou na projeção de inflação e Selic para o fim de 2026.

O que observar na próxima semana

Três pontos concentram a atenção do mercado: a continuidade ou não do fluxo de saída dos estrangeiros, medido diariamente pela B3; o desdobramento da temporada de balanços do segundo trimestre, que segue em curso; e o comportamento dos juros futuros, que nesta semana explicaram boa parte da queda de ações de varejo e de empresas mais dependentes de crédito.

Se a sequência negativa se estender ao pregão de segunda-feira, o Ibovespa chegará à décima queda consecutiva, marca que o índice não atinge desde 2023.

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