Economia

No campo do DF, o morango rende 59 vezes mais por hectare que a soja

Dados do IBGE mostram onde o campo do DF ganha dinheiro: soja e milho ocupam 75% da área, mas o morango entrega R$ 433 mil por hectare. Veja a tabela.

Neste texto6 tópicos
  1. Por que a conta por hectare muda tudo
  2. Onde está, de fato, o dinheiro
  3. Quem subiu e quem caiu em um ano
  4. As dez culturas que mais rendem por hectare no DF
  5. O que a pesquisa do IBGE mede
  6. Onde consultar os dados

Cada hectare de morango colhido no Distrito Federal gerou R$ 433,6 mil em 2025, contra R$ 7,4 mil por hectare de soja. A conta sai dos dados da Produção Agrícola Municipal do IBGE, divulgada em 17 de setembro, e ajuda a explicar por que a horticultura sobrevive em um território onde a terra é cara e escassa.

No total, as lavouras do DF produziram R$ 1,88 bilhão no ano passado. Em 2024 tinham sido R$ 1,62 bilhão, o que representa alta de 16,2%. A área colhida somou 195,8 mil hectares. O ritmo do DF ficou abaixo do nacional: no país inteiro, a produção agrícola chegou a R$ 927,2 bilhões, com crescimento de 18,4% sobre 2024.

Gráfico de barras com o valor da produção por hectare das culturas do DF; morango lidera com R$ 433.559
O morango entrega por hectare quase 59 vezes o que a soja entrega, mesmo ocupando 161 dos 195,8 mil hectares colhidos no DFGráfico: DistritoNews, com dados do IBGE

Por que a conta por hectare muda tudo

Soja e milho ocupam juntos 146,3 mil hectares no DF, ou 74,7% de toda a área colhida. Os dois respondem por R$ 1,07 bilhão, que é 56,9% do valor da produção. Em termos de dinheiro por metro de terra, portanto, os grãos entregam menos do que a área que ocupam sugere.

Na ponta oposta estão culturas que cabem em poucos hectares. O morango foi colhido em 161 hectares e gerou R$ 69,8 milhões. O tomate ocupou 350 hectares e rendeu R$ 105 milhões, ou R$ 300 mil por hectare. O alho ficou em R$ 258,6 mil por hectare e a uva, em R$ 251,6 mil.

A diferença não significa que o produtor de morango ganhe mais. O valor da produção é receita bruta, não lucro. Hortifruti exige mais mão de obra, irrigação, estufa e colheita manual, custos que não entram nesse número. O que o dado mostra é a densidade econômica de cada cultura por unidade de terra, e isso importa em um território de 5,8 mil km² onde a área rural disponível não cresce.

Onde está, de fato, o dinheiro

Quando a ordenação é por valor total, o quadro se inverte. A soja é disparada a maior fonte de receita do campo do DF, com R$ 639,9 milhões, seguida pelo milho, com R$ 430,5 milhões. O feijão vem em terceiro, com R$ 140 milhões, e o tomate em quarto, com R$ 105 milhões.

Gráfico de barras com o valor da produção por cultura no DF em 2025; soja lidera com R$ 639,9 milhões
Pelo valor total, a ordem se inverte: a soja responde por R$ 639,9 milhões e o morango, por R$ 69,8 milhõesGráfico: DistritoNews, com dados do IBGE

O morango, que lidera com folga na conta por hectare, aparece em sexto no valor total. Ele produz muito em pouco espaço, mas o espaço é pouco.

Quem subiu e quem caiu em um ano

A alta de 16,2% no valor total da produção não foi distribuída por igual. O milho saltou de R$ 250,7 milhões em 2024 para R$ 430,5 milhões em 2025, crescimento de 71,7%, o maior entre as principais culturas do DF. A quantidade produzida passou de 328,2 mil para 423,5 mil toneladas.

O feijão andou no sentido contrário. O valor da produção caiu de R$ 215,6 milhões para R$ 140 milhões, recuo de 35,1%. A quantidade colhida encolheu de 52,3 mil para 41,9 mil toneladas.

A soja teve alta mais moderada no valor, de R$ 576,6 milhões para R$ 639,9 milhões, com a produção subindo de 290,7 mil para 328,9 mil toneladas. A goiaba, cultura que aparece com frequência na pauta do produtor de Brazlândia, saiu de R$ 25,5 milhões para R$ 37,1 milhões.

As dez culturas que mais rendem por hectare no DF

CulturaValor da produçãoÁrea colhidaR$ por hectare
MorangoR$ 69,8 milhões161 haR$ 433.559
TomateR$ 105,0 milhões350 haR$ 300.000
AlhoR$ 68,8 milhões266 haR$ 258.579
UvaR$ 14,3 milhões57 haR$ 251.649
PimentãoR$ 39,8 milhões180 haR$ 221.000
MaracujáR$ 15,0 milhões120 haR$ 125.367
Batata-inglesaR$ 10,4 milhões100 haR$ 103.800
GoiabaR$ 37,1 milhões373 haR$ 99.456
CebolaR$ 26,5 milhões300 haR$ 88.327
AbacateR$ 27,8 milhões317 haR$ 87.710

O que a pesquisa do IBGE mede

A Produção Agrícola Municipal acompanha lavouras temporárias e permanentes em todos os municípios do país, com dados de área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção. Pecuária, silvicultura e aquicultura ficam de fora desta pesquisa. No recorte nacional de 2025, Sapezal tirou Sorriso do topo da produção agrícola do país.

O Distrito Federal aparece na pesquisa como um município único, Brasília, o que reúne em um só número a produção de áreas rurais bem diferentes, do PAD-DF a Brazlândia, Planaltina e São Sebastião. A pesquisa também não separa o produtor familiar do produtor empresarial.

No caso do morango, a expansão do cultivo no DF já vinha sendo registrada em campo. O DistritoNews mostrou como a produção de morango virou fonte de renda e geradora de emprego no DF.

Onde consultar os dados

A tabela completa está aberta ao público no Sistema IBGE de Recuperação Automática, o Sidra, na tabela 5457, com filtro por município, ano, cultura e variável. A série do Distrito Federal começa em 1974. A edição de 2025 foi divulgada em 17 de setembro de 2026, e a pesquisa é anual.

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