Economia

Lula cobra bancos por travas no crédito do Move Brasil a motoristas

Presidente admitiu adesão abaixo do esperado ao programa e criticou exigências de score e restrição cadastral para financiar carro de motorista de aplicativo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou os bancos por dificultarem o acesso ao crédito do Move Brasil, programa que financia a compra de veículo por motoristas de aplicativo e taxistas. A cobrança foi feita no sábado (8), quando o presidente admitiu que a adesão ao programa ficou abaixo do esperado nos primeiros meses.

A crítica se concentrou na forma como as instituições financeiras calculam a capacidade de pagamento do motorista. Segundo o presidente, os bancos deveriam considerar que boa parte desses trabalhadores deixa de pagar aluguel de veículo assim que adquire o carro próprio, o que muda a conta da renda disponível. Exigências de score de crédito e restrição cadastral também foram alvo da reclamação.

Como funciona o Move Brasil

O programa oferece financiamento com juros reduzidos para a compra de carro por quem trabalha com transporte por aplicativo ou como taxista. As condições anunciadas pelo governo são estas:

  • Valor do veículo: até R$ 150 mil
  • Juros: até 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres
  • Prazo: até 72 meses
  • Carência: seis meses para o início do pagamento das parcelas

Nesta semana, o governo acrescentou R$ 1 bilhão em garantias à iniciativa, na tentativa de acelerar a liberação dos recursos. O ministro Guilherme Boulos ficou encarregado de reunir trabalhadores que tentaram aderir ao programa e não conseguiram fechar o financiamento.

O que trava a liberação

A garantia adicional reduz o risco assumido pela instituição financeira em caso de inadimplência, mas não altera por si só os critérios de análise de crédito. Cada banco mantém política própria de concessão, e trabalhadores sem vínculo formal costumam enfrentar avaliação mais rígida, já que a renda varia mês a mês e não aparece em holerite.

O motorista de aplicativo é justamente o perfil que essa régua mais atinge. A renda depende de horas rodadas, de demanda e de política de preço da plataforma, e nem sempre transita por conta bancária de forma que o sistema reconheça como comprovação estável.

O que muda para o motorista do DF

No Distrito Federal, o transporte por aplicativo cresceu como alternativa de renda em regiões administrativas com deslocamento longo até o Plano Piloto. Boa parte dos motoristas trabalha com carro alugado, modelo em que a diária consome fatia relevante do faturamento antes de qualquer ganho.

Para esse grupo, a diferença entre financiar e alugar é direta no bolso: a parcela substitui a diária e, ao fim do contrato, o veículo fica com o motorista. É esse cálculo que o presidente pediu que os bancos considerem na análise.

Quem tem interesse deve procurar as instituições financeiras que operam a linha e apresentar comprovação de atividade, como o cadastro na plataforma ou a documentação de taxista. As condições finais de juros e prazo variam conforme a análise de cada banco.

Juros menores para mulheres

A diferença de taxa entre homens e mulheres chama atenção na tabela do programa: 12,6% ao ano contra 11,5% ao ano. A distinção foi desenhada como incentivo à entrada de motoristas mulheres em um setor em que elas são minoria, e acompanha outras linhas de crédito federais que aplicam condição diferenciada por gênero.

Na prática, a diferença de 1,1 ponto percentual ao ano em um contrato de 72 meses altera o valor final pago, mas não resolve a barreira principal apontada pelo próprio governo, que é a aprovação do crédito.

O que observar antes de assinar

  • Custo efetivo total: a taxa anunciada não inclui tarifas, seguro e registro do contrato. O número que importa é o CET informado na proposta
  • Carência: os seis meses sem parcela não são isenção. Os juros do período costumam ser incorporados ao saldo devedor
  • Uso do veículo: carro financiado nessa linha tem destinação vinculada à atividade profissional
  • Depreciação: veículo rodado em aplicativo perde valor mais rápido que o de uso particular, o que pesa na revenda

Leia também: O que checar antes de assinar um financiamento como motorista de aplicativo.

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