Educacao

Computador quântico educacional começa a formar alunos no Senai

Triangulum II está instalado no DigiTech, da Firjan Senai, e é um dos três equipamentos do tipo em operação no Brasil

Um computador quântico educacional começou a formar estudantes, pesquisadores e professores no Brasil. O Triangulum II está instalado no DigiTech, centro de referência em tecnologia da informação e comunicação da Firjan Senai, no Rio de Janeiro, e é um dos três equipamentos do tipo em operação no país.

A máquina é da empresa chinesa SpinQ e foi desenvolvida em parceria com a empresa de tecnologia Dobslit. A informação foi divulgada pela Agência Brasil na quarta-feira (9). Segundo a reportagem, o Triangulum II é o mais moderno entre os computadores quânticos educacionais instalados no Brasil.

O que muda em relação ao computador comum

Computadores tradicionais trabalham com bits, que representam 0 ou 1. Os computadores quânticos usam qubits, que podem representar 0, 1 e combinações desses dois estados ao mesmo tempo. Essa característica, associada a outros fenômenos da física quântica, permite explorar possibilidades de cálculo de uma forma diferente da computação convencional.

Isso não significa que a máquina quântica seja mais rápida em qualquer tarefa. São equipamentos projetados para outro tipo de problema, em geral aqueles que ficam difíceis de processar à medida que aumenta o número de variáveis envolvidas. Para o sistema Firjan-Senai, a questão para a indústria não é substituir os computadores atuais, mas identificar onde a computação quântica oferece vantagem real.

O presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano, afirmou que a tecnologia abre caminho para aplicações em áreas variadas.

"Abre perspectivas para aplicações futuras em diversas áreas, como logística, finanças, farmacêutica, bem como em soberania e segurança nacional", disse Caetano.

Formação de profissionais é o objetivo declarado

O equipamento será usado na formação de estudantes, pesquisadores e profissionais em requalificação, e empresas que queiram capacitar equipes podem procurar o DigiTech. Segundo Caetano, a computação quântica ainda está em estágio inicial de adoção, mas já existe disputa mundial pela formação de pessoal capaz de operar a tecnologia.

O gerente de operações do DigiTech, Maurício Bonabitacola de Almeida, disse que o treinamento precisa começar agora para que haja profissionais depois. "O gap da informática hoje continua sendo alto, e essas novas tecnologias exigem cada vez mais pessoas treinadas", afirmou.

O instrutor de cursos especiais do centro, Vagner da Costa Lima, deu um exemplo da indústria farmacêutica: "Se eu tiver uma molécula que demora muito em um computador clássico, no computador quântico simulo muito mais rápido de processamento e com isso aceleram-se os testes para produzir uma vacina ou um medicamento".

A empresa de petróleo e tecnologia Technip enviou profissionais para capacitação na área de logística. "A gente aprendeu sobre a tomada de decisão da máquina, que ela faz tudo muito rápido. Tem que dar as especificações direitinho para ter as respostas concretas", disse Maria Eduarda Brigida Rolim, da Technip.

Entre os setores apontados como candidatos a usar a tecnologia estão óleo e gás, energia, telecomunicações, logística, serviços financeiros e tecnologia da informação.

Brasília concentra parte da política federal de ciência e tecnologia que define o ritmo desse tipo de investimento, além de universidades e institutos de pesquisa que atuam na área. A formação de mão de obra especializada em computação quântica ainda se concentra em poucos centros, o que torna o acesso a equipamentos como o Triangulum II um gargalo para quem pretende entrar no setor.

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