Incêndio na UFPE: terceiro em 8 dias destrói prédio de laboratórios, e PF e MEC investigam
Terceiro incêndio em oito dias na UFPE destrói prédio de laboratórios, com prejuízo de R$ 100 milhões.
Neste texto4 tópicos
O terceiro incêndio em oito dias na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) destruiu, na noite de quarta-feira (7), o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), no campus Recife. O reitor Alfredo Gomes estima prejuízo de cerca de R$ 100 milhões. A Polícia Federal (PF) abriu inquérito, e o Ministério da Educação (MEC) vai pedir uma investigação separada sobre ameaças a universidades feitas nas redes sociais.
Ninguém ficou ferido. Cinco viaturas do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco foram mobilizadas, e o rescaldo terminou por volta das 5h de quinta-feira (8), segundo a corporação. As causas, de acordo com os bombeiros, só serão definidas por perícia técnica.
O que havia no prédio
O edifício abrigava laboratórios de fármacos, inovação terapêutica, informática e genética. O segundo andar foi completamente destruído. Segundo o reitor, ali ficavam materiais de pesquisa de vários anos, entre eles trabalhos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Gomes afirmou que ao menos 80 dissertações e teses de doutorado estavam no prédio e que dados de cerca de 20 anos de pesquisa eram guardados no local. Outros veículos pernambucanos citam números maiores, e a universidade ainda não fechou o levantamento. A conta de R$ 100 milhões inclui equipamentos de laboratório, freezers de grande porte e estrutura de informática.
O reitor disse que o prédio é antigo, mas que a manutenção estava em dia e que o espaço havia sido adaptado para receber os laboratórios. Também afirmou que os produtos inflamáveis estavam armazenados de forma adequada e que, na avaliação inicial da universidade, não teriam causado o fogo. "Precisamos ouvir a perícia para chegar a uma conclusão", declarou.
Os três incêndios, em ordem
- 30 de setembro: fogo em laboratório do Departamento de Física. A suspeita inicial da UFPE foi um forno mufla, equipamento usado para aquecer substâncias.
- 4 de outubro (domingo): chamas atingiram parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Houve danos materiais, sem vítimas.
- 7 de outubro (quarta): incêndio de grandes proporções no antigo prédio da Dine.
O reitor disse que não há, até agora, informação sobre relação entre os três casos. A origem de cada um segue em apuração.
PF, MEC e as ameaças nas redes
A PF informou na quinta que instauraria inquérito para apurar "todas as circunstâncias e causas prováveis" do fogo e enviou peritos ao local. A corporação manteve contato com o reitor e com o comandante dos bombeiros.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, visitou a UFPE e disse à Agência Brasil que a pasta tem "uma preocupação grande de que essa violência escale". Segundo ele, depois das ameaças verificadas nas redes sociais, o MEC vai acionar a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da PF, que já atua com o ministério em casos de ameaça à rede escolar e a universidades.
Na quinta, a Universidade Federal Fluminense (UFF) também informou ter recebido denúncias de ameaças. Em nota, disse que o conteúdo circula em aplicativos de mensagens e redes sociais e fala em incendiar a instituição e agredir estudantes em atos políticos. A PF foi acionada nesse caso também.
Relatos de estudantes sobre ameaças à UFPE apareceram nas redes depois do incêndio, que ocorreu um dia após um ato de estudantes em apoio à reeleição do presidente Lula. A autenticidade dessas mensagens e qualquer ligação delas com o fogo não foram confirmadas, e nenhuma autoridade concluiu que o incêndio foi criminoso. "A universidade é um ambiente plural, um ambiente de manifestação política também", disse Barchini.
O que falta saber
Estão em aberto a causa do incêndio da Dine, a existência de relação entre os três episódios e o inventário completo do que se perdeu. A UFPE ainda não detalhou como pretende recuperar ou reconstituir os dados de pesquisa. Quando o laudo pericial sair, ele deve dizer se houve falha elétrica, acidente com equipamento ou ação criminosa.
No DF, o tema de segurança em escolas e universidades tem sido acompanhado por este portal; veja o levantamento sobre vínculo com a escola entre alunos do 4º ao 7º ano.
Fontes: Agência Brasil (entrevista com o ministro Leonardo Barchini, 8/10), SBT News (nota da PF e declarações do reitor) e Diário de Pernambuco. O texto será atualizado quando houver laudo.