Política

Governo aciona MDHC e PF após ameaças de morte à deputada eleita Ana Elisa (PT-MG)

Governo aciona MDHC e PF após ameaças de morte e estupro contra a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG). Veja o que cada órgão pediu e onde denunciar.

Neste texto4 tópicos
  1. O que cada órgão pediu
  2. Como as ameaças chegaram
  3. Violência política de gênero em números
  4. Onde denunciar

O governo federal acionou dois ministérios e a Polícia Federal para tratar das ameaças de morte e de estupro contra a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) pediu uma análise de risco ao programa de proteção de Minas Gerais, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) solicitou, nesta sexta-feira, 9, que a PF abra investigação.

As duas providências saem de Brasília, sede dos dois órgãos, e ainda não significam escolta. O MDHC não detalhou as medidas para preservar a integridade da parlamentar, e a deputada disse que, por ora, não tem esquema de segurança.

O que cada órgão pediu

Segundo a Agência Brasil, o MDHC solicitou à Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais, responsável pelo Programa Estadual de Proteção, uma análise de risco, a articulação com os órgãos de inteligência policial e providências para investigar as ameaças e identificar os responsáveis. A equipe estadual vai atuar junto ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas. A reportagem da agência não conseguiu resposta da secretaria mineira nem do Ministério Público de Minas Gerais.

O MJSP escolheu outro caminho. De acordo com a Gazeta do Povo, que teve acesso ao ofício, o ministério afirma que crimes cometidos pela internet com conteúdo misógino são de competência da esfera federal e descreve o caso como ameaça, em tese, contra "uma mulher recém-eleita, precisamente pela sua atuação política". O documento registra que ela teria recebido mensagens desse teor "a cada dois minutos" e "receia pela sua integridade física".

Edifício do Congresso Nacional em Brasília sob céu nublado
Congresso Nacional, em Brasília: Ana Elisa assume o mandato de deputada federal em 2027Foto: Magali Guimarães/Pexels

Como as ameaças chegaram

Ana Elisa relatou os ataques logo depois do primeiro turno, em 4 de outubro. Segundo ela, as ameaças já existiam e aumentaram com a circulação de notícias falsas. A equipe desativou o perfil dela no X. Segundo ela, os ataques somavam ameaças de morte a cada dois minutos, além de ameaças de estupro. "Estou totalmente vulnerável", afirmou, em publicação em outra rede.

Ela já havia exposto o conteúdo de um e-mail recebido em 5 de setembro, no qual o remetente se diz integrante da Ku Klux Klan e descreve como pretende estuprá-la. A deputada eleita registrou denúncia na Polícia Civil de Minas Gerais. Na quinta-feira, 8, ela esteve em Brasília para reforçar a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes no segundo turno e afirma que, desde então, seus perfis são alvo de ataques coordenados.

Ana Elisa nasceu em Divinópolis, é estudante de Direito e estagiava no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Recebeu 524.219 votos, foi a segunda mais votada do estado para a Câmara, atrás de Nikolas Ferreira (PL), e é a deputada federal mais jovem já eleita no país.

Violência política de gênero em números

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela Gazeta do Povo indicam que os processos por violência política de gênero passaram de 15 em 2022 para 177 em 2026, alta de 11 vezes. O Ministério Público Federal registra 436 denúncias desde 2018, mais da metade com teor moral e violência psicológica. No fim de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE um documento com denúncias de violência contra candidatas nesta eleição.

No DF, a rede de atendimento a mulheres em risco tem outras frentes: o programa Viva Flor e as operações da PCDF contra violência doméstica.

O que falta saber: se a PF instaurará o inquérito, se a deputada passará a ter escolta antes da diplomação e quem enviou as mensagens. Nenhum suspeito foi identificado até a publicação desta matéria.

Onde denunciar

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, gratuita, 24 horas, também pelo WhatsApp (61) 9610-0180.
  • Polícia Federal: canal Comunica PF ou delegacias de polícia nos estados.
  • Ministério Público Eleitoral e Justiça Eleitoral: para crimes ligados à disputa política.
  • Emergência: Polícia Militar, pelo telefone 190.

A Agência Brasil não obteve retorno da Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais nem do Ministério Público estadual até a publicação.

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