Arruda contesta nota do Tesouro para o DF e governo Celina Leão rebate
Ex-governador diz que classificação é C; GDF sustenta que a Capag parcial de 2026 vale para efeitos legais
O ex-governador José Roberto Arruda contestou a avaliação das contas do Distrito Federal apresentada pelo governo local e afirmou que a nota atribuída ao DF pelo Tesouro Nacional é a pior da escala. O governo de Celina Leão rebateu e sustenta que os números parciais de 2026 já mostram recuperação da capacidade de pagamento.
A divergência começou depois que a gestão local divulgou a projeção de encerrar o ano com R$ 3 bilhões em caixa e apresentou a reversão de um déficit herdado. Arruda, que disputa o governo do DF, disse que o quadro apresentado não corresponde ao que está registrado na avaliação federal.
"A nota verdadeira está lá no site do Tesouro Nacional. A nota é a pior possível, C", afirmou o ex-governador.
Ele acrescentou que a administração não teria promovido corte efetivo de despesa e atribuiu a melhora do resultado ao adiamento de pagamentos, prática que classificou como pedalada fiscal.
O que responde o governo
Celina Leão afirmou que assumiu o DF com um rombo de R$ 5 bilhões e que a trajetória atual aponta para superávit. A governadora sustentou que os dados parciais deste ano podem embasar uma avaliação excepcional da situação fiscal.
"Para efeitos legais, a Capag parcial serve", disse a governadora.
Ao comentar as críticas, ela evitou citar nominalmente o adversário e disse que o governo local não fará avaliação política dos números, ao contrário, segundo ela, do que ocorre na esfera federal.
Como funciona a Capag
A Capacidade de Pagamento, conhecida pela sigla Capag, é a nota que o Tesouro Nacional atribui a estados, ao Distrito Federal e a municípios para medir a saúde fiscal de cada ente. Ela define quem pode contratar operação de crédito com garantia da União.
A classificação combina três indicadores:
- Endividamento, que compara a dívida consolidada com a receita corrente líquida.
- Poupança corrente, que mede quanto da receita sobra depois das despesas correntes.
- Liquidez, que verifica se há dinheiro em caixa para honrar as obrigações de curto prazo.
As notas vão de A a D. Entes classificados como A ou B podem receber aval da União para novos empréstimos. Nota C ou D fecha essa porta, salvo em situações previstas em regras específicas.
O calendário é o ponto central da controvérsia. O Tesouro Nacional deve divulgar a nova classificação de estados e do Distrito Federal em outubro, e o cálculo será feito com base nas contas fechadas de 2025, exercício considerado desfavorável para a administração local. A nota atualmente publicada no site do Tesouro é a da rodada anterior.
A discussão sobre a Capag ganhou peso porque o governo distrital busca autorização para uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões destinada ao BRB. Operações desse porte com garantia da União dependem da classificação fiscal do ente, o que explica o interesse do governo em ter reconhecida uma avaliação baseada em dados parciais de 2026.
A nota vigente e a metodologia completa do cálculo estão publicadas no portal Tesouro Transparente, com a série histórica por ente federativo.
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