Politica

DF tem 17 candidatos com título religioso em 2026, ante 23 em 2022

Queda é de 26% em números absolutos, mas a fatia sobre o total de registros ficou igual nas duas eleições: 2,57%

O Distrito Federal terá 17 candidatos que usam título religioso no nome de urna na eleição de outubro, contra 23 em 2022. A queda é de 26% em números absolutos e aparece em levantamento publicado nesta sexta-feira, 12 de setembro, pelo Metrópoles, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral.

A redução no DF acompanha um movimento nacional mais forte. No país inteiro, a queda de candidaturas com identificação religiosa chegou a 42%.

O número que não mudou

Há um dado que contradiz a leitura de recuo puro e simples. A proporção desses candidatos sobre o total de registros no DF ficou praticamente igual nas duas eleições: 2,57% em 2022 e 2,57% em 2026.

Ou seja, o conjunto de candidaturas no Distrito Federal também encolheu, e a fatia religiosa dentro dele se manteve estável. O que caiu foi o número absoluto, não o peso relativo.

Outro recorte mostra a distância entre o nome de urna e a atividade declarada. Dos 17 candidatos de 2026, apenas quatro informaram ao TSE ter atividade religiosa como profissão. Em 2022, eram três entre os 23.

As explicações que os especialistas apresentam

O levantamento ouviu três pesquisadores: Matheus Pestana, do Instituto de Estudos da Religião (ISER), Christina Vital, do programa de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense, e o cientista político Leandro Gabiati.

As hipóteses que eles levantam para a queda seguem quatro linhas:

  • Mudança de estratégia eleitoral: o candidato prefere se apresentar por outro atributo para ampliar o alcance além do próprio rebanho.
  • Perda de novidade: o título religioso no nome de urna deixou de ser diferencial em um ambiente onde ele já é comum.
  • Deslocamento da pauta: segurança pública ganhou espaço no discurso eleitoral e disputa a atenção que antes ia para temas de costumes.
  • Capital político já construído: quem tem mandato ou reconhecimento prévio não depende do título para ser identificado.

Os pesquisadores também mencionam a possibilidade de um cansaço em torno do debate que cruza política e religião, sem que isso signifique redução da presença de lideranças religiosas na disputa.

O que a lei permite no nome de urna

A Lei das Eleições autoriza o candidato a registrar como nome de urna o prenome, o sobrenome, o cognome, o nome abreviado, o apelido ou o nome pelo qual é mais conhecido, desde que não gere dúvida sobre a identidade nem atente contra o pudor. É essa brecha que permite a um candidato aparecer na tela da urna como pastor, padre, bispo ou missionário.

O partido faz o pedido junto com o registro da candidatura, e o juízo eleitoral pode indeferir a escolha em caso de coincidência com outro concorrente ou de indução do eleitor a erro. Quando dois candidatos pedem nomes iguais ou semelhantes, a preferência é de quem já exerce mandato ou de quem apresentou o pedido primeiro.

Por isso o indicador serve como medida de estratégia de comunicação, e não de composição religiosa da disputa. Ele mostra o que o candidato decidiu exibir ao eleitor no momento em que ele digita o número.

O que isso significa para a eleição no DF

A distinção importa. O levantamento mede o uso do título no nome de urna, não a filiação religiosa do candidato nem o apoio de igrejas a determinada campanha. Um pastor pode concorrer sem usar "pastor" no nome de urna e manter intacta sua base.

No Distrito Federal, a disputa por uma das 24 cadeiras da Câmara Legislativa e pelas oito vagas do DF na Câmara dos Deputados concentra o maior número de candidaturas. É nesses cargos proporcionais que o nome de urna pesa mais, porque o eleitor precisa identificar o candidato entre centenas de opções.

O TSE mantém os dados de todos os registros no sistema DivulgaCandContas, com nome de urna, profissão declarada, partido e patrimônio de cada concorrente. A consulta é pública e por unidade da federação.

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