Paula Belmonte põe escola integral e creche no centro do plano de governo
Candidata do PSDB ao GDF falou de educação em agenda na Bienal do Livro de Brasília
A candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) defendeu a escola de tempo integral, a valorização dos professores e o acesso a creche como eixos do seu plano de governo em declarações dadas na quinta-feira (20) na Bienal do Livro de Brasília.
As falas foram publicadas pelo Correio Braziliense no mesmo dia. Ao tratar de educação pública, a candidata puxou a própria trajetória escolar para justificar a prioridade.
"Eu sou fruto de escola pública. Eu sei da importância das crianças chegaram até aqui. A educação e a literatura são parte fundamental da democracia", disse Paula Belmonte.
Creche e segurança alimentar no centro do plano
Entre as medidas citadas, a candidata destacou o atendimento à primeira infância e a alimentação escolar. "O acesso à creche e à segurança alimentar é a grande pérola do nosso plano de governo", afirmou.
Paula Belmonte também sustentou que a responsabilidade pela rede não pode ser repassada ao Legislativo. Para ela, "o Poder Executivo tem que ser responsável pela educação". A crítica mira o uso de emendas parlamentares como fonte de recursos para escolas.
"O Executivo não pode jogar essa responsabilidade para os deputados. A diferença entre as escolas acontece devido às diferenças de emendas destinadas às instituições", disse a candidata.
O argumento se apoia no funcionamento das emendas distritais, que são destinadas por parlamentares a unidades específicas da rede.
O quadro da rede pública do DF
A agenda na Bienal do Livro colou o discurso de educação ao de acesso à leitura. Foi nesse enquadramento que a candidata do PSDB apresentou a parte do plano de governo dedicada à rede pública, sem passar por dados de matrícula, orçamento ou número de escolas.
O tema chega à campanha num momento de resultado ruim para a rede local. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado pelo Inep, colocou a rede pública do DF abaixo da média nacional nas três etapas avaliadas, com recuo no ensino médio, como o DistritoNews mostrou. A Secretaria de Educação anunciou depois um conjunto de ações para reagir à queda.
A aposta na jornada ampliada não é exclusiva da candidata do PSDB. Estudo divulgado em agosto apontou que o ensino integral acelera o aprendizado de alunos de baixa renda, e a modalidade aparece em propostas de outras candidaturas ao Buriti.
O que separa os planos, na prática, são três variáveis:
- quantas escolas seriam convertidas para o tempo integral e em qual prazo;
- de onde sairia o dinheiro para a ampliação de vagas em creche;
- como ficaria a política de carreira e de reposição salarial dos professores.
Nenhum desses números foi apresentado na agenda da Bienal.
O que vem pela frente
São dez chapas na disputa pelo Palácio do Buriti, todas com registro protocolado até o encerramento do prazo, em 15 de agosto. O calendário eleitoral prevê o primeiro turno em outubro, e os planos de governo entregues à Justiça Eleitoral são públicos, o que permite confrontar a promessa feita em agenda de campanha com o documento registrado.
No caso das medidas de educação apresentadas na Bienal, esse confronto ainda depende de número: nem o custo nem o cronograma foram informados na agenda.