Ideb 2025: rede pública do DF fica abaixo da média nacional nas três etapas
Índice divulgado pelo Inep mostra o DF com 6,0 nos anos iniciais, 4,7 nos anos finais e 4,1 no ensino médio, único recuo entre as etapas
A rede pública do Distrito Federal ficou abaixo da média nacional nas três etapas da educação básica no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O resultado mais crítico está no ensino médio, que recuou de 4,2 para 4,1.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, a rede pública do DF marcou 6,0, contra 6,1 da média nacional da rede pública. Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, o índice local foi de 4,7, ante 5,0 do país. No ensino médio, o 4,1 do DF ficou 0,4 ponto abaixo da média nacional de 4,5 e distante da meta de 5,2 fixada pelo Ministério da Educação para a etapa.
Os números do DF e do país
O Ideb combina duas informações: a nota dos estudantes em português e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o fluxo escolar, que mede aprovação e reprovação. Quanto maior a reprovação, menor o resultado, mesmo que as notas subam.
- Anos iniciais: DF 6,0 · Brasil 6,1
- Anos finais: DF 4,7 · Brasil 5,0
- Ensino médio: DF 4,1 · Brasil 4,5 · meta do MEC 5,2
No conjunto do país, considerando redes pública e privada, o Ideb subiu de 6,0 para 6,3 nos anos iniciais, de 5,0 para 5,3 nos anos finais e de 4,3 para 4,5 no ensino médio, na comparação com 2023. Apenas os anos iniciais bateram a meta nacional. Segundo levantamento do Metrópoles a partir dos dados do Inep, 11 das 27 unidades da federação atingiram a média nacional ou ficaram acima dela.
O que diz a Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) destacou o avanço na alfabetização, com 65% das crianças alfabetizadas ao fim do 2º ano, e informou que vai levar aos anos finais e ao ensino médio o mesmo modelo de acompanhamento pedagógico já adotado no ciclo de alfabetização, com diagnóstico frequente e monitoramento por escola.
No âmbito federal, o presidente do Inep, Manuel Palacios, informou que apresentará em outubro a proposta para o próximo ciclo do índice, com foco em aprendizagem e equidade. A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, afirmou que as regiões com desempenho inferior receberão assistência técnica individualizada.
Por que o ensino médio trava
O ensino médio é a etapa mais difícil da educação básica brasileira desde a criação do Ideb, em 2007, e nenhuma edição do índice atingiu a meta nacional para o segmento. O gargalo combina abandono escolar, reprovação e defasagem acumulada nos anos finais do fundamental, que chega ao 1º ano do médio já consolidada.
No DF, o recuo de 0,1 ponto no médio ocorre em uma rede que historicamente aparecia entre as mais bem posicionadas do país nos anos iniciais. O desempenho por etapa mostra onde o sistema perde tração: a diferença entre o 6,0 dos anos iniciais e o 4,1 do médio é de 1,9 ponto.
Os resultados por escola e por rede estão disponíveis na plataforma do Inep. Leia também: Monitor é investigado por agressão a aluno autista em escola de Taguatinga.