Politica

Saúde é a prioridade de 82,3% dos eleitores do DF, aponta pesquisa

Levantamento Correio/Opinião ouviu 1.109 eleitores e colocou educação em segundo lugar, com 43,1%; combate à corrupção ficou em último, com 6,6%

A saúde é a prioridade número um para 82,3% dos eleitores do Distrito Federal, segundo pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política divulgada nesta segunda-feira (10). O levantamento ouviu 1.109 eleitores e colocou o tema a 39 pontos percentuais de distância do segundo colocado, a educação.

A ordem dos temas ficou assim: saúde, com 82,3%; educação, com 43,1%; segurança pública, com 33,1%; transporte público, com 16,4%; e combate à corrupção, com 6,6%. Os percentuais somam mais de 100%, o que indica que o entrevistado pôde apontar mais de uma prioridade.

Por que a saúde domina

Para o cientista político Ariel Calmon, mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), a dianteira do tema tem explicação concreta e local.

No caso do DF, a saúde ocupa posição de destaque porque há uma pressão sobre hospitais e unidades básicas muito evidente

Calmon acrescenta que o brasiliense chega às urnas cobrando resultado, não promessa: é "um eleitor preocupado com a capacidade do governo de entregar resultados concretos".

A cientista política Rócio Barreto segue a mesma linha de leitura.

A ampla vantagem da saúde demonstra que o eleitor espera resposta concreta e imediata para os problemas que afetam a sua qualidade de vida

O que o número significa para a campanha

Um tema com 82,3% de menção deixa de ser diferencial e vira condição de entrada. Todos os candidatos ao Palácio do Buriti tratam de saúde no programa, o que desloca a disputa da agenda para a credibilidade da proposta: fila de cirurgia eletiva, tempo de espera na regulação, funcionamento das unidades de pronto atendimento e o modelo de gestão da rede.

Esse último ponto já apareceu no debate distrital desta campanha, com divergência aberta entre candidatos sobre o papel do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que administra parte da rede, e sobre a conclusão de obras hospitalares prometidas em ciclos anteriores.

A distância entre o primeiro e o último colocado da lista também informa. O combate à corrupção, com 6,6%, aparece muito atrás de serviços de uso cotidiano. Não significa que o eleitor tolere desvio: indica que, na hora de ordenar prioridades, ele coloca à frente aquilo que sente na semana, como conseguir consulta, vaga em creche e ônibus no horário.

Ressalvas de leitura

A publicação da pesquisa não trouxe o número de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o período de coleta, a margem de erro nem o nível de confiança do levantamento. Sem esses dados, os percentuais devem ser lidos como ordem de prioridade declarada pelos entrevistados, e não como medida com intervalo estatístico definido.

Pesquisas de intenção de voto e de prioridade temática registradas no TSE têm consulta pública no sistema PesqEle, onde constam contratante, instituto, valor, metodologia e plano amostral. É nesse registro que se confere a ficha técnica completa de qualquer levantamento divulgado durante o período eleitoral.

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