Senado aprova US$ 304 milhões em empréstimos externos para Minas
Belo Horizonte fica com US$ 204 milhões do BID para o Drenurbs e o BDMG, com US$ 100 milhões; as duas operações têm garantia da União
O Plenário do Senado aprovou em 13 de agosto dois empréstimos externos que somam US$ 304 milhões para Minas Gerais, os dois com garantia da União e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como credor. O maior deles, de US$ 204 milhões, vai para a prefeitura de Belo Horizonte.
A autorização a Belo Horizonte tramitou como Mensagem (MSF) 47/2026 e teve relatório da senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL). O valor equivale a cerca de R$ 1,06 bilhão pelo câmbio usado pela Agência Senado. A prefeitura entra com contrapartida de US$ 51 milhões.
O dinheiro financia parte do Programa de Recuperação Ambiental e Saneamento dos Fundos de Vale e Córregos em Leito Natural, o Drenurbs, que trata de córregos canalizados, esgotamento sanitário e obras de contenção de cheias na capital mineira.
"O Drenurbs é um programa de Belo Horizonte voltado à melhoria da qualidade de vida, por meio da universalização do saneamento, recuperação de recursos hídricos e mitigação de inundações", diz o texto apresentado ao Senado.
O que a União garante
A segunda operação, de US$ 100 milhões, também do BID, foi autorizada ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e tramitou como MSF 50/2026. O montante corresponde a cerca de R$ 518,5 milhões.
Empréstimo externo de estado ou município precisa passar pelo Senado porque a Constituição atribui à Casa a competência de autorizar operações de crédito externo dos entes federados. Quando a União concede aval, ela assume o risco: se o tomador atrasa, o Tesouro Nacional paga e cobra depois, com poder de reter repasses constitucionais.
Na mesma sessão, o Plenário liberou um conjunto de 16 operações de crédito externo para estados e municípios, somando US$ 1,87 bilhão.
Empréstimo de banco multilateral costuma sair mais barato do que captação no mercado privado, com prazo longo e carência, mas vem com contrapartida obrigatória do tomador e com exigências de projeto: o dinheiro só é liberado por etapa executada, e a prestação de contas segue as regras do próprio banco, não apenas as brasileiras.
É por isso que operações desse tipo levam anos entre o pedido do Executivo local e a primeira obra. O Drenurbs, por exemplo, é um programa antigo da capital mineira, com fases já executadas e outras à espera de financiamento.
Por que isso interessa a quem mora no DF
A decisão é tomada em Brasília, e a fila de mensagens de crédito externo define quanto de risco a União acumula em garantias concedidas a estados e municípios. Esse estoque de aval entra nas estatísticas fiscais do Tesouro Nacional e disputa espaço no mesmo Orçamento federal de onde saem os repasses do Fundo Constitucional do Distrito Federal.
Qualquer governo que queira dinheiro de banco estrangeiro percorre o mesmo caminho: pedido do Executivo, aval da União, autorização do Senado e contrapartida do próprio caixa.
As mensagens aprovadas seguem agora para a formalização dos contratos entre os tomadores e o BID, etapa em que são definidos prazo de carência, cronograma de desembolso e taxa. Não há prazo fixado para a assinatura.
Na semana passada, uma comissão do Senado aprovou texto que pode devolver ao Brasil o direito de voto no Bureau Internacional de Exposições, outro caso em que a Casa decide sobre compromisso financeiro do país no exterior, como publicou o DistritoNews.