Saude

Ministério da Saúde inicia migração dos dados do SUS para nuvem nacional

Parceria com o Serpro começa pelo CadSUS e pela Rede Nacional de Dados em Saúde; é a primeira vez que a base fica armazenada em território brasileiro

O Ministério da Saúde e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) iniciaram na terça-feira (11/8) a migração de sistemas e dados estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma infraestrutura de nuvem soberana, com servidores em território brasileiro. É a primeira vez que a base de saúde pública do país deixa de depender de estrutura hospedada no exterior.

A operação é conduzida pelo Datasus, departamento do ministério com sede em Brasília, e pelo Serpro, estatal também sediada na capital. Pela mudança, os dados passam a ser processados e armazenados sob legislação exclusivamente brasileira, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O que entra primeiro

A primeira frente de trabalho reúne dois sistemas de uso diário na rede pública. Um deles é o Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS), que hoje registra 228.602.858 usuários ativos com CPF e outros 4.822.980 sem CPF. O segundo é a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que conecta informações entre estados, municípios e serviços privados.

O Datasus mantém sob custódia cerca de 459 sistemas e soluções digitais. O volume de informações saltou de 700 mil registros em 2022 para 5 bilhões de dados de saúde em 2026, salto que ajuda a explicar a pressão por infraestrutura própria.

  • 228.602.858 usuários ativos com CPF no CadSUS
  • 4.822.980 usuários ativos sem CPF
  • 459 sistemas e soluções digitais sob custódia do Datasus
  • 5 bilhões de dados de saúde em 2026, contra 700 mil em 2022

Como será a transição

A etapa inicial é de planejamento técnico. As equipes do Datasus e do Serpro vão consolidar o modelo de trabalho, atualizar o inventário dos ambientes hoje em uso, revisar a arquitetura atual, mapear os requisitos da nova estrutura e concluir o desenho do ambiente que vai receber os sistemas. Só depois começa a transferência das bases.

Para o cidadão, a mudança não altera o funcionamento do Cartão Nacional de Saúde nem o atendimento nas unidades. O efeito prático aparece na custódia da informação: prontuário eletrônico, histórico de vacinação, exames e registros de atendimento passam a estar sujeitos apenas às regras brasileiras de proteção de dados e a pedidos judiciais de autoridades nacionais.

Brasília concentra as duas pontas do projeto. Tanto o Datasus, ligado ao Ministério da Saúde, quanto o Serpro têm sede na capital federal, o que coloca a cidade no centro da operação e da futura manutenção do ambiente. Veja também a cobertura sobre a faixa etária mantida para a vacinação contra a dengue no DF.

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