Oftalmologistas ligam tempo de tela ao avanço da miopia em crianças
Entidades recomendam pelo menos duas horas diárias ao ar livre e fixam limite de tela por faixa etária
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomendaram nesta quinta-feira (11) que crianças e adolescentes passem pelo menos duas horas por dia ao ar livre, medida apontada pelas entidades como a mais eficaz para conter o avanço da miopia na infância. O alerta foi divulgado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia.
A recomendação vem acompanhada de limites de tempo de tela por faixa etária. Segundo as entidades, crianças com menos de 2 anos não devem ter exposição a telas. Dos 2 aos 5 anos, o limite é de uma hora por dia. Dos 5 aos 10, duas horas. Dos 10 aos 18, três horas.
A informação foi divulgada pela Agência Brasil.
Por que a luz natural entra na conta
O ponto central do alerta não é proibir a tela, e sim compensar o tempo em ambiente fechado. Conforme o CBO, a exposição à luz natural funciona como fator protetor contra a progressão da miopia. A entidade reforça que a medida não depende de compra de equipamento nem de medicação: "Não há necessidade de investimentos em ferramentas e remédios", afirma o conselho.
Na prática, a orientação inclui brincadeiras ao ar livre, caminhadas, esportes e contato com a natureza. O contraponto é a atividade de perto prolongada, que é o que a tela impõe: foco fixo a poucos centímetros dos olhos por horas seguidas.
O que as entidades pedem que a família observe
O congresso desta edição incluiu o projeto Pequenos Olhares, que atendeu cerca de 1 mil crianças e adolescentes. A triagem em massa serve justamente para achar o problema que passa despercebido em casa, porque a criança míope raramente reclama: ela simplesmente se aproxima do que quer enxergar.
- Aproximar muito o rosto do livro, do caderno ou do celular
- Sentar perto demais da televisão
- Apertar os olhos para enxergar de longe
- Queixa de dor de cabeça no fim do dia escolar
- Queda no rendimento escolar sem causa aparente
- Desinteresse por atividade que exige visão de longe
A recomendação das sociedades médicas é levar a criança ao oftalmologista diante de qualquer desses sinais, sem esperar o exame de rotina da escola.
O alerta se soma ao do olho seco
Esta é a segunda recomendação ligada a tela apresentada no mesmo congresso. Médicos já haviam apontado que o uso prolongado de dispositivos reduz a frequência do piscar e provoca olho seco em crianças, quadro que se manifesta com ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos.
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As entidades não divulgaram estimativa de prevalência de miopia infantil no Brasil nem projeção para os próximos anos.
Onde fazer o exame no DF
No Distrito Federal, a consulta oftalmológica pela rede pública é acessada por encaminhamento a partir da unidade básica de saúde de referência do endereço do paciente. A regulação define a fila para as unidades que oferecem a especialidade. Escolas públicas do DF também recebem ações periódicas de triagem visual, em que a criança identificada com alteração é encaminhada para avaliação.
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