Secretário nega negligência em mortes na rede pública e apurações avançam
Juracy Cavalcante defendeu equipes do HRSam em coletiva; PCDF mantém investigação da UPA do Recanto das Emas e IgesDF fala em fase final da apuração interna
O secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, negou na quinta-feira (16), em coletiva de imprensa, que tenha havido negligência nas mortes de duas gestantes no Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Os casos são investigados pela Polícia Civil e acompanhados pelo Ministério da Saúde.
"Eu quero dizer que essa paciente, em momento algum, foi negligenciada durante o seu atendimento", afirmou o secretário, ao comentar o primeiro dos dois óbitos.
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu no dia 10 de julho, vítima de atonia uterina com hemorragia grave durante uma cesárea. Três dias depois, no dia 13, morreu Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, que teve um distúrbio de coagulação com sangramento intenso após o parto.
Ao Correio Braziliense, o secretário defendeu as equipes do hospital e disse que a unidade tem "uma equipe altamente capacitada". Como resposta à crise, ele anunciou a contratação de médicos por contratos temporários e por pessoa jurídica para cobrir lacunas de pessoal.
A governadora Celina Leão determinou investigação rigorosa dos casos, mandou entregar as imagens de monitoramento às famílias e aos investigadores e anunciou mudança nos protocolos de pré-natal da rede pública.
UPA do Recanto das Emas: PCDF nega arquivamento
Também na quinta (16), a 27ª Delegacia de Polícia esclareceu que não arquivou a apuração da morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, na UPA do Recanto das Emas, ao contrário do que a corporação havia comunicado no dia 14. A ocorrência segue registrada como localização ou remoção de cadáver, em verificação preliminar.
Vilmar chegou à unidade às 21h18 do dia 19 de junho e morreu por volta das 14h do dia seguinte, sem ter sido atendido. As imagens mostram o paciente indo sozinho ao banheiro às 23h07 e dormindo em uma cadeira de rodas durante a madrugada.
O laudo do IML apontou morte súbita cardíaca por tamponamento, provocado por sangramento decorrente de dissecção aguda da aorta, e concluiu que a morte teve causas naturais. Mesmo assim, a delegacia aguarda documentos do IgesDF e depoimentos dos profissionais para decidir se abre inquérito por omissão de socorro.
IgesDF diz que apuração interna está na fase final
A presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), Eliane Abreu, disse na quinta (16) que a apuração administrativa do caso da UPA está perto do fim.
"Estamos em fase final de apuração, no âmbito administrativo disciplinar, para que possamos dar um desfecho assertivo e aplicar todas as medidas cabíveis", afirmou.
Segundo ela, as comissões de ética médica e de enfermagem foram acionadas para análise técnica independente, e a controladoria interna revisa prontuários, imagens e depoimentos. As conclusões serão encaminhadas aos conselhos profissionais e à Polícia Civil.
Situação de cada caso
- HRSam (duas gestantes): PCDF investiga; Ministério da Saúde acompanha; protocolos de pré-natal serão alterados
- UPA do Recanto das Emas: verificação preliminar na 27ª DP; sindicância do IgesDF em fase final
- Hospital de Base: morte de paciente na entrada da unidade segue em apuração pelo IgesDF
Os próximos passos passam pela conclusão da sindicância do IgesDF, pela decisão da 27ª DP sobre a abertura de inquérito e pelo resultado das investigações da PCDF sobre os óbitos no HRSam.
O DistritoNews acompanha o caso desde o início. Leia a cobertura sobre a investigação da morte de gestante no hospital de Samambaia e sobre a apuração da morte no Hospital de Base.