Seguranca

Caso Ana Lídia chega a 53 anos sem resposta após a morte do irmão

Álvaro Henrique Braga, acusado e absolvido em 1975, morreu em novembro de 2025; o crime prescreveu em 1993

O caso Ana Lídia, o crime que mais marcou a história policial de Brasília, chegou a 53 anos sem resposta judicial depois da morte de Álvaro Henrique Braga, irmão da menina e um dos dois acusados pela polícia em 1973. A morte dele ocorreu em 25 de novembro de 2025, no Rio de Janeiro, e só se tornou pública nesta quarta-feira (16), segundo o Correio Braziliense e o Metrópoles.

Ana Lídia Braga tinha 7 anos quando desapareceu na Asa Norte, em 11 de setembro de 1973. O corpo foi encontrado no dia seguinte, em área próxima à Universidade de Brasília, com sinais de violência. O caso paralisou a cidade recém-construída e se tornou referência de investigação malconduzida no Distrito Federal.

Dois acusados, nenhuma condenação

A investigação da época apontou como responsáveis Álvaro Henrique Braga, irmão da vítima, e Raimundo Lacerda Duque. Em 16 de junho de 1975, os dois foram absolvidos por falta de provas. O crime prescreveu em 11 de setembro de 1993, vinte anos depois do desaparecimento, o que encerrou qualquer possibilidade de nova ação penal.

Álvaro sempre negou a autoria. Ao longo da vida adulta, afirmou ter sido vítima de tortura durante a apuração policial, conduzida no período da ditadura militar. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como médico a partir de 1983.

Por que o caso nunca fechou

A apuração de 1973 acumulou falhas que a imprensa do DF reconstituiu ao longo de cinco décadas:

  • preservação deficiente do local onde o corpo foi encontrado;
  • linhas de investigação abertas e abandonadas em sequência;
  • uso de métodos de interrogatório típicos do período;
  • ausência de prova técnica capaz de sustentar denúncia em juízo.

Com a absolvição em 1975 e a prescrição em 1993, o processo se encerrou sem que a Justiça do DF apontasse autoria. A morte do último acusado vivo retira do caso a única testemunha direta que ainda poderia falar.

O que muda agora

Do ponto de vista jurídico, nada. O crime está prescrito há 33 anos e não cabe reabertura. O que resta é o registro histórico: o acervo do Memória e Cultura do TJDFT mantém o caso catalogado, e a Polícia Civil do DF criou neste ano o Projeto Orfeu, voltado a restituir identidades e solucionar casos históricos de desaparecimento, sem que o caso Ana Lídia esteja entre os alcançados pela iniciativa.

Para Brasília, o caso segue como o episódio que introduziu a cidade planejada ao noticiário criminal do país. Aos 53 anos do crime, a pergunta que abriu a investigação em 1973 continua sem resposta oficial.

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