Lula diz que não vai dar dinheiro ao BRB e Celina Leão rebate
Em ato em Ceilândia, o presidente descartou recursos federais ao banco; a governadora respondeu que o PT quer destruir a instituição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16), em ato em Ceilândia, que o governo federal não vai destinar recursos ao Banco de Brasília (BRB). A governadora Celina Leão (PP) respondeu no mesmo dia e disse que o PT quer destruir a instituição.
"Não vamos dar dinheiro ao BRB", disse Lula. "Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB." O presidente também atribuiu a crise à gestão anterior do Palácio do Buriti: "Na verdade, a governadora deveria estar preocupada com a prisão do Ibaneis, porque ele quebrou o banco."
Lula garantiu a manutenção de programas sociais no Distrito Federal e cobrou responsabilização criminal dos envolvidos na compra de títulos sem lastro que abriu o rombo no banco público do DF.
A resposta da governadora
Celina Leão rebateu ainda na quarta. Afirmou que esperava que Lula "agisse como presidente da República e não como cabo eleitoral" de um candidato que, segundo ela, nada fez pelo BRB. A menção é a Leandro Grass (PT), que disputa o Palácio do Buriti.
A governadora defendeu que a situação do banco seja tratada fora da disputa partidária e lembrou que a instituição tem cerca de 6 mil empregados e executa funções ligadas a programas sociais no Distrito Federal.
O que está em jogo no BRB
A crise do BRB tem origem na exposição do banco a títulos ligados ao Banco Master. A Polícia Federal apura fraude estimada em R$ 12 bilhões, e o socorro discutido entre o GDF, a União e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) gira em torno de R$ 6,6 bilhões. O caso já passou por audiências no Supremo Tribunal Federal conduzidas pelo ministro Luiz Fux, sem acordo.
O impasse tem três frentes abertas ao mesmo tempo: a criminal, conduzida pela PF; a financeira, que depende do FGC e de contragarantias; e a política, agora no meio da campanha ao governo do DF. A declaração desta quarta inseriu o banco no centro da disputa eleitoral a menos de três semanas do primeiro turno.
A investigação da PF aponta o ex-sócio do Master como articulador da fraude de R$ 12 bilhões no BRB, em apuração que já foi prorrogada e ampliada para diretores da instituição.
Não há, até esta publicação, decisão nova sobre a liberação do socorro. O desfecho depende do entendimento entre União, FGC e GDF e das etapas ainda em curso no STF.